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BAKUGAN

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Se Jacob não tivesse quebrado as regras

A maior diferença (e é uma diferença ENORME) entre o primeiro rascunho do Lua Nova e a cópia final é essa: originalmente, Bella nunca descobriu o que tinha de errado com o Jacob. Era um livro menor, sem as setenta páginas cruciais nas quais Jacob e Bella compartilham seus segredos e cimentam o relacionamento deles em algo que ultrapassa a amizade.

(Antes que você continue a ler, não deixe isso te confundir. Não é como “realmente aconteceu”. Conforme o meu conhecimento sobre a personagem do Jacob cresceu, essa versão original foi ficando cada vez mais improvável. (É claro que o Jacob ia quebrar as regras – ele é o Jacob!) Esse é só o esqueleto – só ossos, sem carne.

Tente imaginar: Bella vai até a casa do Jacob para exigir a verdade sobre o “culto”. Jacob aparece com o Sam e os outros, e concorda em conversar com a Bella a sós. Ele dá um fora nela (por falta de expressão melhor), e ela fica devastada pela segunda vez no livro. Ok, isso parece familiar. Mas então à noite… nada acontece. Jacob não quebra as regras e escala a árvore até a janela para falar com ela. Jaacob não dá nenhuma pista para ela, para tentar ajudá-la a descobrir o que ela já sabe. Bella ainda fica isolada, sozinha. Ela não tem idéia de que a Victoria está lá fora, caçando-a, ou que os lobisomens estão lá fora, protegendo-a.

Mas a Bella é muito persistente em receber alguma resposta do Jacob. Ela não tem os problemas de orgulho que interferiam no relacionamento deala com o Edward no começo do Lua Nova para Pará-la aqui. Não, Jacob DEVE a ela algo mais que isso, droga, e ela vai fazê-lo pagar.

Ela não consegue encontrá-lo, no entanto, e eventualmente a busca dela a leva até o topo dos penhascos. Ela se lembra de ver “a gangue” mergulhar no nada – e você sabe como ela está viciada nas alucinações. Mergulhar do penhasco é a inspiração dela nessa versão. Quando o Jacob a salva dessa vez, a interação entre eles é 180º diferente do que na versão final.

Se Jacob não tivesse quebrado as regras

- Como nós vamos sair daqui? – eu tossi e cospi as palavras. Estava com tanto frio agora que não conseguia sentir muita coisa além do calor do corpo dele enquanto ele me carregava cuidadosamente acima das ondas, e a dor nas minhas costas. Parecia que a corrente estava arrastando as minhas pernas, se recusando a desistir, mas elas estavam entorpecidas e talvez eu só estivesse imaginando.

- Eu vou carregar você até a praia. Você vai ficar mole como se estivesse inconsciente e não vai lutar. Isso deixará as coisas mais fáceis.

- Jake – eu disse ansiosamente. – A água é forte demais. Você provavelmente não vai conseguir sozinho, quem dirá me levando.

- Eu puxei você pra fora, não puxei? – ele me apertou forte demais para que eu visse seu rosto, mas a voz dele parecia um pouco convencida.

- Você puxou – eu concordei incerta. – Como? A correnteza…

- Eu sou mais forte que você.

Eu teria concordado, mas a água decidiu sair do meu estomago bem na hora.

- Ok – ele disse quando eu terminei de vomitar. – Preciso tirar você daqui. Lembre-se, fique parada.

Eu estava fraca demais para discutir, mas estava aterrorizada demais de deixar a segurança da pedra e deixar as ondas virem pra cima de mim de novo. Tão recuperada quando eu estava há dois minutos sobre a idéia de me afogar, agora eu estava com medo. Eu não queria voltar para o escuro. Não queria que a água cobrisse meu rosto de novo.

Eu pude sentir quando o Jacob pulou da pedra. Estava de costas e ele ainda estava me segurando embaixo dos braços quando ele deu o impulso. A água barulhenta nos alcançou, e eu entrei em pânico e comecei a chutar.

- Pare com isso – ele repreendeu.

Eu lutei para me manter quieta, e era mais difícil do que eu teria imaginado, mesmo com meus membros exaustos e com câimbras querendo nada mais que relaxar e ficar parados.

Era incrível – nós nos movemos pela água como se uma linha estivesse nos guiando para a costa. Jacob era o nadador mais forte que eu não tinha visto. Os empurrões e agarrões da correnteza pareciam inúteis até mesmo de deslocar a rota direta que ele seguia pelas ondas. E ele era rápido. Ia em ritmo de recorde mundial.

Então eu senti a areia raspando em meus calcanhares.

- Ok, pode ficar em pé, Bella.

Assim que ele me soltou, eu caí de cara nas ondas que estavam na altura dos joelhos.

Ele me pegou antes que eu pudesse engolir mais água, me jogando facilmente para os seus ombros e andando até a areia. Ele não disse mais nada, mas a respiração dele parecia irritada.

- Para lá – ele murmurou para si mesmo, e depois mudou de direção. Eu só podia ver, quando pendi do ombro dele, seus pés descalços deixando pegadas enormes na areia molhada.

Ele me sentou numa faixa de areia que parecia seca. Estava escuro aqui – eu percebi que nós estávamos em uma caverna rasa que a maré tinha formado embaixo da pedra. A chuva não podia me atingir diretamente, mas os respingos de garoa batiam na areia do lado de fora e me acertavam.

Eu estava tremendo tanto que meus dentes estavam batendo – o som era como castanholas.

- Vem aqui – Jacob disse, mas eu não tive que me mover. Ele enrolou os braços ao meu redor e me apertou com força em seu peito nu. Eu tremi, mas ele estava parado. A pele dele estava muito quente – como se a febre tivesse voltado.

- Você não está congelando? – eu gaguejei.

- Não.

Eu me senti envergonhada. Além de ele ser exponencialmente melhor do que eu na água, ele ainda tinha que fazer parecer mais fraca.

- Eu sou tão frouxa – murmurei.

- Não, você é normal – a amargura estava lá no tom dele. Ele se moveu rapidamente, sem me dar chance de perguntar o que ele quis dizer. – Se importa em me explicar que diabos você estava fazendo? – ele exigiu.

- Pulando do penhasco. Recreação – Inacreditável, mas ainda tinha alguma no meu estômago. E ela escolheu esse momento para reaparecer.

Ele esperou até que eu pudesse respirar outra vez. – Parece que você se divertiu.

- E me diverti, até bater na água. Não devíamos procurar ajuda ou algo assim? – meus dentes ainda estavam batendo, mas ele entendeu o que eu quis dizer.

- Estão vindo.

- Quem está vindo? – eu perguntei, desconfiada e surpresa.

- Sam e ou outros.

Eu fiz uma careta. – Como eles sabem que precisamos de ajuda? – meu tom era cético.

Ele bufou. – Porque eles me viram correr e me atirar de um penhasco atrás de você.

- Você estava me vigiando? – eu acusei, ligeiramente ofendida.

- Não, eu escutei você gritar. Se eu tivesse visto você, teria te impedido. Foi muita burrice, sabe.

- Seus amigos fazem isso.

- Eles são mais fortes que você.

- Eu sei nadar bem – eu protestei, ignorando a evidencia que provava o contrario.

- Em uma piscina ?????????? – ele retrucou. – Bella, ta virando um furacão pra lá. Você não considerou isso?

- Não – eu admiti.

- Burrice – ele repetiu.

- É – eu concordei com um suspiro. Estava tão frio e eu estava tão cansada.

- Fique acordada – Jacob disse ríspido.

- Nem vem – eu respondi. – Não vou dormir.

- Então abra os olhos.

Pra falar a verdade, eu nem tinha percebido que eles estavam fechados. Não disse isso a ele. Eu só os abri e disse “Ok.”

- Jacob? – o chamado veio claramente apesar do vento e ondas barulhentos. A voz era muito grave.

Jacob se inclinou para que ele não gritasse no meu ouvido. – Na caverna, Sam.

Eu não os escutei se aproximarem. Abruptamente, a pequena caverna estava cheia de pernas marrons. Eu olhei para cima, sabendo que meus olhos estariam cheios de suspeitas e raiva, consciente da proximidade do Jacob. Os braços dele formavam um escudo ao meu redor, mas de repente eu me senti como a protetora.

O rosto calmo de Sam foi a primeira coisa que eu vi. Uma onda confusa de déjà vu me surpreendeu. A caverna escura não era muito diferente da floresta à noite, e, novamente, eu estava deitada, fraca e inútil aos pés dele. Ele estava me salvando de novo. Eu olhei pra ele, irritada.

- Ela está bem? – ele perguntou ao Jacob com uma voz segura, como um adulto entre as crianças.

- Estou bem – eu resmunguei.

Ninguém me escutou.

- Temos que esquentá-la – ela está ficando com sono – Jacob respondeu.

- Embry? – Sam chamou, e um dos garotos deu um passo à frente para entregar para Jacob alguns cobertores. O tom de comando da voz do Sam me irritou até não poder mais. Era como se nenhum deles pudesse fazer algo até que ele dissesse. Eu o encarei ferozmente enquanto Jacob colocava as cobertas em volta de mim.

- Vamos tirá-la daqui – Sam mandou friamente. Ele inclinou para mim com as mãos esticadas, mas parou quando eu recuei dele.

- Já peguei, Sam – Jacob disse, colocando seus braços embaixo de mim e me levantando facilmente quando ele se colocou de pé.

- Eu posso andar – eu protestei.

- Ok – Jacob me colocou no chão e esperou.

Meus joelhos dobraram. Sam me pegou quando eu caí; instintivamente, eu lutei contra as suas mãos.

Jacob me pegou de novo, me tirando de perto de Sam e me girando até seus braços. Ele era ridiculamente forte para a idade dele. Eu fiz uma careta bem feia quando o Sam colocou os cobertores ao meu redor outra vez.

- Paul, você ta com aquele poncho?

Outro garoto deu um passo a frente sem falar nada e colocou uma camada de plástico para proteger os cobertores.

A essa altura, enrolada em camadas de proteção, eu notei que Sam e os outros não estavam muito mais vestidos que Jacob. Presumi que Jacob tinha tirado a maioria das roupas antes de pular atrás de mim, mas eles estavam todos descalços e sem camisa, cada um usando só calças ou shorts, pingando por causa da chuva. A água pingava dos cabelos deles e escorria pela pele dos peitos deles; eles nem pareciam notar. Embaixo da minha camada de cobertas, eu tremi descontroladamente e me senti como um bebê ridículo.

- Vamos – Sam ordenou, e todos saíram da caverna.

Tinha uma trilha que seguia para a praia. Eles andavam com agilidade pelo caminho, Jacob tão rápido quanto os outros. Ninguém se ofereceu para ajudá-lo, e ele não pediu nenhuma ajuda. O fato das mãos dele estarem ocupada não parecia incomodá-lo. Ele nem tropeçava.

Sam e os outros três iam à frente, e, conforme eu os observava escalar com a facilidade de bodes montanheses, eu fiquei chocada ao perceber o quão bem eles se ajustavam ao cenário. Eles se misturavam com tal harmonia com as cores das pedras e arvores, com o movimento do vento; eles pertenciam ao lugar.

Eu olhei para o Jacob e ele pertencia ao lugar também. As nuvens, a tempestade, a floresta, todo emoldurava seu novo rosto com perfeição. Ele parecia ainda mais natural, mais à vontade que o meu Jacob feliz que zanzava pela sua garagem, seu próprio reino. Era perturbador.

Nós alcançamos o topo bem mais longe na estrada do que eu tinha me aventurado. Eu podia ver um montinho de cor meio enferrujada, vago, ao sul, e achei que era minha picape.

Eu quis tentar andar de novo, mas Jacob ignorou meus pedidos baixos. Eles correram para a orla da floresta, como se eles pudessem se mover mais rápido pelas árvores do que na estrada. E eles estavam se movendo mais rápido; minha picape estava se aproximando mais rápido do que deveria

- Onde estão as duas chaves? – Jacob perguntou quando chegamos perto. A respiração dele ainda estava equilibrada e regular.

- No meu bolso – eu respondi automaticamente, antes de perceber o que ele estava sugerindo.

- Me entregue.

Eu olhei para ele, mas seu rosto estava calmo e determinado. Mal humorada, eu forcei minha mão pra dentro dos jeans molhados e tirei minha chave. Lutei contra as cobertas até que a minha mão estivesse livre. Levantei a chave.

- Para você ou para o Sam? – eu perguntei rabugenta.

Ele revirou os olhos. – Eu dirijo.

Num movimento rápido e imediato, ele inclinou a cabeça na minha direção e tirou as chaves das minhas mãos com os dentes.

- Ei! – eu reclamei, surpresa, como quando ele me colocou nos braços.

Ele sorriu, seco, através da chave.

Estávamos junto à picape agora; Sam abriu a porta do passageiro e Jacob me colocou dentro do carro. Jacob deu a volta para o lado do motorista enquanto o resto deles subiu na caçamba. Jacob ligou o motor e o aquecedor no máximo, mudando a posição deles para que ficassem só pra mim. Eu olhei culpada para a janela de trás, para seus amigos sentados sem se perturbarem, seminus na chuva que caía.

- Mas então o que você estava fazendo por aqui? – eu perguntei ao Jacob. – Vocês iam nadar com o furacão também?

- Estávamos correndo – ele cortou.

- Na chuva?

-Sim, sorte sua.

Eu calei a boca e olhei para a janela.

Nós não viramos na 110 como eu esperei, mas ao invés disso pegamos o caminho que levava a casa do Billy.

- Por que você está me levando para a sua casa?

- Eu vou pegar a minha moto e colocar na caçamba para a viagem de volta – a não ser que você queria que eu fique com a sua picape.

- Ah.

- Além do mais, eu quero que o Billy dê uma olhada em você. Eu não quero que o Charlie saiba disso até que eu tenha certeza de que você bem. Ele provavelmente vai me prender por tentativa de homicídio, ou algo assim – ele acrescentou amargamente.

- Não seja burra – eu retruquei.

- Ok – ele concordou. – Já tem mais que estupidez necessária… pular de um penhasco!

Eu corei e olhei pra frente.

Jacob me carregou para dentro da casa. O resto deles nos seguiu silenciosamente. O rosto de Billy estava sem expressão.

- O que aconteceu? – ele perguntou, direcionando a pergunta ao Sam ao invés que a seu próprio filho. Olhei pra ele.

- Eu estava pulando do penhasco – eu disse rapidamente, antes que Sam pudesse responder.

Billy só ergueu uma sobrancelha e manteve os olhos no Sam.

- Ela está com frio, mas acho que ficará bem em algumas roupas secas – Sam disse.

Jacob me colocou no sofá pequeno, e rapidamente o empurrou para perto do aquecedor. As pernas do sofá se arrastaram, barulhentas, pelo chão de madeira. Então ele desapareceu até o armário no quartinho.

Billy não disse nada sobre a condição de seu filho, que pingava pela casa toda, nem sobre a de ninguém. Ninguém parecia preocupado com hipotermia a não ser no meu caso.

Me senti mal sobre encharcar o sofá, mas eu não conseguia levantar a cabeça para salvar o tecido seco do meu cabelo molhado. Estava cansada demais. Mesmo as figuras altas e agourentas que enchiam a sala, encostadas nas paredes sem se mexerem, conseguiam manter meus olhos abertos. Eu finalmente estava quente perto do aquecedor que zumbia, e meus pulmões se moviam de um jeito que me empurrava até a inconsciência ao invés de me deixar acordada.

- Devo acordá-la para se trocar? – eu ouvi o Jacob sussurrar. Perguntando para o Sam, sem dúvida.

- Como está a pele dela? – a voz grave de Sam respondeu. Eu queria mandar pra ele outro olhar de raiva, mas meus olhos não abriam.

Os dedos do Jacob tocaram levemente minha bochecha.

- Quente.

- Acho melhor deixá-la dormir, então.

Eu fiquei feliz que eles iam me deixar em paz.

- Charlie? – Jacob perguntou.

Billy respondeu dessa vez. – Ele viria pra cá num piscar de olhos. Vamos esperar até que a tempestade passe para chamá-lo.

Boa resposta, eu pensei. Aqui eu estava, cercada por homens estranhos dos quais eu tinha começado a sentir medo, mas me senti estranhamente segura e quente aqui.

Alguém falou alguma coisa, uma voz que eu não reconhecia. – Você quer que nós três voltemos pra lá?

Houve uma pausa. – Acho que sim – Sam finalmente disse. – A tempestade é o disfarce perfeito, não vamos ser pegos desprevenidos.

- Três é suficiente? – Billy perguntou, parecendo preocupado.

Alguém deu uma risada gutural. – Nenhum risco.

- Se tiver um só – Sam emedeu, severo. Ninguém respondeu, mas eu escutei uma porta se abrindo.

- Controle, meus irmãos – Sam disse de novo, no tom de alguém se despedindo de um parente. – Rapidez e segurança para vocês.

Fiquei ligeiramente incomodada com essas palavras, mas mantive minha voz equilibrada.

- Irmãos – os outros repetiram em uníssono. Eu escutei a voz do Jacob se unir a dos outros.

A porta se fechou silenciosamente. Não houve som por um bom tempo, e a temperatura quente me levou até a inconsciência outra vez. Eu estava quase dormindo quando o Sam falou calmamente.

- Você não quis deixá-la.

- Se ela acordar, eu acho que ela teria medo de você – Jacob parecia na defensiva.

- Você não pode fazer isso, Jacob. Foi certo salvar a vida dela hoje, claro. Mas você não pode mantê-la perto de você.

Eu tive que morder a língua para segurar a resposta acida que eu queria dar pra ele. Era mais importante escutar agora.

- Sam… eu… eu acho que consigo. Acho que seria seguro.

- Um momento de raiva, só isso. Quão perto você chegou na tarde passada?

Jacob não respondeu.

- Eu sei que é muito difícil.

- Eu sei que você sabe – Jacob disse, complacente. Não, eu quis dizer a ele. Não se entregue assim!

- Seja paciente – Sam aconselhou. – Em um ano mais ou menos…

- Ela terá ido embora – Jacob concluiu amargamente.

- Ela não é pra você – Sam disse gentilmente.

Jacob não respondeu, e eu fiquei magoada. Eu odiava ter que concordar com o Sam em qualquer coisa. E eu não via como esse fato estragava a nossa amizade.

Estava quente demais para eu me concentrar, e no silencia que se seguiu a esse dialogo eu perdi a luta contra minha mente cansada. Em algum lugar perto, eu escutei uma voz delicada murmurando uma canção de ninar familiar, e eu soube que já estava adormecida.

***

A parte a seguir me parecia uma boa introdução para o epílogo original do Lua Nova. Conforme continuamos com esse universo alternativo, lembrem-se que, mesmo a Bella sabendo que tem algo errado com o Jacob, ela não tem idéia que ele é um lobisomem. No epilogo, ela e Edward estão juntos em Forks outra vez, e as coisas voltaram ao normal…

Epílogo – Humano

Era uma daqueles raros dias de sol, o tipo de dia que eu menos gostava. Mas Edward não podia manter sua promessa a cada minuto. Ele também tinha suas necessidades.

- Alice pode ficar de novo – ele ofereceu na sexta-feira à noite. Eu conseguia ver a ansiedade por trás de seus olhos – o medo de que iria surtar no minuto que ele me deixasse sozinha e fazer algo maluco. Como pegar a minha moto de La Push, ou brincar de roleta russa com a pistola do Charlie.

- Eu vou ficar bem – eu disse com uma confiança fingida. Tantos meses de esforço para manter as aparências tinham afiado minhas habilidades para mentir. – Você tem que se alimentar também. E é melhor nós voltarmos à rotina.

A maioria das coisas tinha voltado à rotina, em menos tempo que eu acreditaria ser possível. O hospital tinha recebido Carlisle de volta de braços abertos e ávidos, sem nem se preocupar em esconder a felicidade com o fato de que Esme não tinha gostado da vida em Los Angeles. Graças à prova de cálculo que eu tinha perdido, Alice e Edward estavam em melhores condições de se formar do que eu no momento. Charlie não estava contente comigo – ou falando com o Edward – mas pelo menos Edward podia entrar em casa de novo. Eu só não podia sair dela.

- Eu tenho umas redações para fazer, de qualquer jeito – eu suspirei, acenando em direção a pilha de inscrições para faculdades – Edward tinha surrupiado um de cada faculdade cujo prazo de entrega ainda estava aberto – na minha mesa. – Eu não preciso de nenhuma distração.

- Isso é verdade – ele disse com uma severidade zombeteira. – Você terá muita coisa pra deixá-la ocupada. E eu estarei de volta quando anoitecer.

- Não se apresse – eu disse a ele superficialmente, e fechei meus olhos como se estivesse cansada.

Eu estava tentando convencê-lo que eu confiava nele, o que era verdade. Ele não precisava saber dos pesadelos de zumbi. Eles não eram sobre a falta de confiança nele – era de mim mesma que eu ainda não podia depender.

Charlie ficou em casa, o que não era normal para um sábado. Eu trabalhei nas inscrições na mesa da cozinha para que ele pudesse ficar de olho em mim com mais facilidade. Mas eu era um tédio de se observar, e ele raramente tirava os olhos da televisão para checar se eu ainda estava lá.

Eu tentei me concentrar nos formulários e perguntas, mas era difícil. Hora ou outra eu me sentia solitária; minha respiração ficava mais dura e eu tinha que lutar para me acalmar. Eu me sentia como aquele motorzinho que podia – toda a hora eu tinha que me lembrar, você pode fazer isso, você pode fazer isso, você pode fazer isso.

Então, quando a campainha tocou, a distração foi mais que bem recebida. Eu não tinha idéia de quem poderia ser, mas eu nem me importava.

- Eu atendo! – eu gritei, e levantei da mesa como um raio.

- Ok – Charlie disse desinteressado. Eu corri para a sala de estar, pronta para receber um vendedor porta a porta ou alguma testemunha de Jeová.

- Oi, Bella – Jacob Black sorriu, cínico, quando a porta se abriu.

- Ah, Jacob, oi – eu murmurei, surpresa. Eu não tinha tido noticias deles desde que nós tínhamos voltado sãos e salvos da Itália. Eu tinha considerado a ultima despedida dele como final. Doía quando eu pensava sobre isso, mas para ser perfeitamente honesta, minha mente tinha ficado bem ocupada com outras coisas para sentir a falta dele como eu deveria.

- Está livre? – ele perguntou. O tom amargo não tinha desaparecido de sua voz, e ele disse essas palavras com um ressentimento especial.

- Depende – Minha voz estava ácida, combinando com a dele. – Não estou tão ocupada, mas eu estou sob custodia. Então não estou livre, não.

- Mas você está sozinha, não? – ele explicou, sarcasticamente.

- O Charlie está aqui.

Ele mordeu os lábios. – Eu queria falar com você a sós… se você puder.

Eu levantei as mãos, sem defesa. – Você pode pedir ao Charlie – eu disse, com um triunfo escondido. Charlie nunca me deixava sair de casa.

- Não foi isso que eu quis dizer – Os olhos escuros dele de repente ficaram mais sérios. – Não era a permissão do Charlie que eu estava pedindo.

Eu o encarei sombriamente. – Meu pai é o único que me diz o que eu posso e o que eu não posso fazer.

- Se você diz – ele deu de ombros. – Ei, Charlie! – ele gritou por cima do meu ombro.

- É você, Jake?

- Sim. A Bella pode dar uma volta comigo?

- Claro – Charlie disse casualmente, e meu sorriso esperançoso, o que esperava pela negação, se tornou uma careta.

Jacob levantou uma sobrancelha em desafio.

O olhar provocador que estava nos olhos dele fez me mover mais rápido do que eu teria me movido. Eu estava fora de casa em um segundo, fechando a porta atrás de mim.

- Aonde você quer ir? – eu perguntei, com uma animação falsa.

Pela primeira vez, ele pareceu inseguro. – Sério? – ele perguntou. – Você ficaria sozinha comigo, de verdade?

- É lógico – eu franzi a testa. – Por que não?

Ele não respondeu. Ele me encarou por um longo minuto com os olhos suspeitos e confusos.

- O quê? – eu exigi.

- Nada – ele resmungou. Ele começou a andar para a floresta.

- Vamos por esse lado – eu sugeri, acenando em direção a rua do lado oeste. Eu já tinha tido experiências suficientes para uma vida toda naquela parte da floresta.

Ele olhou para mim rapidamente, suspeito de novo. Então deu de ombros outra vez e passou na calçada para a rua.

Essa era a caminhada dele, então eu mantive minha boca fechada, embora eu estivesse ficando mais curiosa a cada segundo.

- Tenho que admitir, estou surpreso – ele finalmente falou quando nós estávamos quase na esquina. – A sugadorazinha de sangue não te contou tudo?

- Eu girei e comecei a andar para a casa de novo.

- Que foi? – ele perguntou, confuso, igualando meu passo irritado.

Eu parei e olhei para ele. – Eu não vou falar com você se começar a insultar os outros.

- Insultar? – ele piscou, surpreso.

- Você pode se referir aos meus amigos usando os nomes deles.

- Ah – Ele ainda parecia um pouco surpreso que eu tinha achado a palavra ofensiva. – Alice então, né? Não acredito que ela ficou de boca fechada – Ele começou a andar para a esquina outra dez, e eu o segui, relutante.

- Não sei do que você está falando.

- Você não cansa de se fazer de burra?

- Não estou me fazendo de burra – eu disse, azeda. – Aparentemente, eu sou burra.

Ele me olhou cuidadosamente. – Hm – ele resmungou.

- Que é? – eu exigi.

- Ela não falou mesmo de mim?

- De você? O que tem você?

Os olhos deles examinaram o meu rosto novamente. Então ele sacudiu a cabeça em resignação e mudou de assunto.

- Eles já te fizeram escolher?

Eu soube imediatamente o que ele quis dizer.

- Eu disse pra você que eles não iam fazer isso. Você é o único obcecado em escolher lados.

Ele sorriu, um sorriso duro, e seus olhos se estreitaram. – Veremos sobre isso.

Abruptamente, ele se inclinou e me pegou em um abraço de urso tão apertado e entusiasmado que me tirou do chão.

- Me solta! – eu lutei inutilmente. Eles era forte demais.

- Por quê? – ele riu.

- Porque eu não consigo respirar!

Ele me largou, dando um passo para trás com um sorriso malicioso no rosto.

- Você está drogado – eu acusei, olhando para baixo envergonhada, fingindo arrumar a minha camiseta.

- Só lembre-se que eu te avisei – ele sorriu, se inclinando de novo – não tão longe – para pegar meu rosto entre suas mãos enormes.

- Hm, Jacob… – eu protestei, minha voz subindo uma oitava, uma mão se mexendo rapidamente para cobrir a minha boca.

Ele me ignorou, inclinando a cabeça para pressionar seus lábios firmemente na minha testa por um segundo prolongado. O beijo pareceu começar como uma piada, mas seu rosto estava nervoso quando ele se endireitou.

- Você deveria me deixar beijá-la, Bella – ele disse quando deu um passo para trás, deixando as mãos caírem. – Você pode gostar. Algo quente pra variar.

- Eu te disse desde o começo, Jacob.

- Eu sei, eu sei – ele suspirou. – Culpa minha. Fui eu que soltei a granada.

Eu olhei pra baixo, mordendo o lábio.

- Eu ainda sinto a sua falta, Bella – ele disse. – Muito. E então, bem na hora que nós talvez voltássemos a ser amigos de novo, ele volta.

Fiz cara feia pra ele. – Se não fosse pelo Sam, nós seriamos amigos de qualquer jeito.

- Você acha? – Jacob de repente sorriu, e o sorriso era arrogante. – Ok, deixarei nas mãos dele então – era obvio que o pronome que ele disse não se referia ao Sam.

- O que você quer dizer?

- Eu serei seu amigo – se ele não tiver problema com isso – Jacob ofereceu, e depois começou a rir com algo que lembrava um divertimento verdadeiro.

Eu fiz uma careta, mas não ia deixar passar a oportunidade inesperada. – Ótimo – eu estiquei minha mão à minha frente. – Amigos.

Ele apertou minha mão com um sorriso. – A parte irônica é que – se ele deixar que você seja minha amiga – ele bufou de escárnio. – ia dar certo. Sou melhor que isto do que o resto deles. Sam diz que é da minha natureza – ele fez uma cara revoltada.

- Da sua natureza em quê? – eu perguntei, confusa.

- Vou deixar que o sanguessuga te conte isso – quando ele te explicar porque você não pode ser minha amiga – Jacob riu de novo.

Eu me virei automaticamente, mas ele agarrou meu ombro.

- Desculpa. Escapou. Eu quis dizer… Edward, é claro.

- É claro. Só se lembre que você fez um trato – eu o lembrei sombriamente.

- Eu vou manter a minha parte da barganha, não se preocupe com isso – ele riu.

- Não entendo a piada – eu reclamei.

- Você vai entender – ele continuou a rir. – Mas eu não posso garantir que você vai achar engraçado.

Ele começou a voltar para a casa, então eu achei que ele já tinha dito tudo o que planejava dizer.

- Como está o Sam? – eu perguntei em um tom neutro.

- Não está feliz, como você deve imaginar – ele disse, atestando a verdade. – Você não pode esperar que a gente esteja super feliz que os vampiros voltaram pra cá.

Eu o encarei, meu rosto congelado de choque.

- Ah, fala sério, Bella – ele resmungou, revirando os olhos.

Eu franzi a testa e olhei para longe, enquanto ele ria de novo. Meu temperamento se incendiou.

- Como está o Quil? – eu o provoquei.

A expressão dele imediatamente virou uma careta. – Não o vejo muito mais – ele reclamou.

- Bom.

- É só uma questão de tempo – ele disse numa voz doentia e nervosa. – Agora.

- Agora o quê?

- Agora que seus amigos estão de volta.

Nós nos encaramos por um momento.

- Não posso falar com você quando fica desse jeito – eu decidi eventualmente.

Eu não esperava que ele desse pra trás, mas ele deu.

- Você tem razão. Não estou sendo muito amigável, né? Não deveria desperdiçar o momento – essa provavelmente é a ultima conversa que nós teremos.

- Vou gostar bastante de provar que você está errado – eu murmurei.

- Isso é engraçado. Eu não acho que vou gostar nenhum um pouco de provar que vocês está errada.

Nós tínhamos chegado a casa. Jacob me acompanhou até a varanda, mas nós paramos ali.

- Você espera que ele volte logo? – Jacob perguntou casualmente.

- Edward, você quer dizer?

- Sim… Edward – parecia difícil para ele dizer o nome. Ele tinha menos problema com ‘Alice’.

- Mais tarde – eu disse num tom vago.

Jacob piscou para o sol, que aparecia através das nuvens estranhamente finas.

- Ah – ele disse, claramente entendendo perfeitamente. – Diga a ele que eu disse ‘oi’.

Ele soltou outra risada.

- Claro – eu murmurei.

- Eu nem consigo te dizer o quanto queria que você ganhasse essa – ele disse quando terminou de rir, seu sorriso desaparecendo. – La Push é tão sem graça sem você.

Tão rapidamente que a minha respiração parou de choque, Jacob atirou os braços ao me redor outra vez.

- Tchau, Bella – ele sussurrou, sua respiração quente no meu cabelo.

Antes que eu pudesse me recuperar e responder, Jacob se virou e correu pela rua, suas mãos enfiadas nos bolsos da calça. Foi só nessa hora que eu me perguntei como ele tinha chegado até aqui. Não tinha nenhum carro à vista. Mas as pernas compridas dele o levavam tão rápido que eu teria que gritar para perguntar. E eu tinha certeza que ele ia se encontrar com o Sam em algum lugar por perto.

Parecia que tudo o que eu fazia com o Jacob era dizer adeus. Eu suspirei.

Charlie não olhou pra cima quando eu passei por ele.

- Que conversa curta – ele notou.

- Jacob foi birrento – eu disse a ele.

Ele riu brevemente, olhos na TV.

Levei meus trabalhos para o meu quarto, então, determinada a me concentrar melhor. Eu sabia que se eu ficasse na cozinha eu não iria tirar meus olhos do relógio em cima do forno por nada. No meu quarto, consegui simplesmente tirar o despertador da tomada para resolver o problema. Eu já tinha preenchido cinco formulários de inscrição, que estavam prontos para serem enviados, quando o som da chuva tirou a minha concentração. Eu olhei para a janela. Aparentemente, o tempo bom tinha acabado. Eu sorri por um momento, e olhei para a próxima pergunta. Ainda tinha horas à minha frente.

Algo rígido me pegou pela cintura com força e me tirou da cama. Antes que eu pudesse inspirar para gritar, minhas costas estavam contra a parede mais distante. Eu estava presa ali por algo firme e frio – e familiar. Um rosnado baixo, alarmado saia por entre seus dentes.

- Edward, que foi? Quem está aqui? – eu sussurrei em terror. Tinham tantas respostas más para aquela pergunta. Era tarde demais. Eu nunca devia ter dado ouvidos a eles, eu devia ter feito a Alice me mudar na hora. Eu comecei a hiperventilar de medo.

E então Edward disse – Hmmm – em uma voz que não parecia nenhum pouco preocupada. – Alarme falso.

Eu respirei fundo, acalmando o ritmo. – Ok.

Ele se virou, se afastando devagar para me dar espaço. Ele colocou as mãos nos meus ombros, mas não me puxou para perto. Seus olhos examinaram meu rosto, meu nariz perfeito se torcendo um pouco.

- Desculpe por isso – ele sorriu pesarosamente. – Exagerei.

- Em quê? – eu perguntei.

- Em um minuto – ele prometeu. Ele deu um passo para trás e me olhou com uma expressão estranha que eu não consegui decifrar. – Primeiro, por que você não me diz o que fez hoje?

- Fui boazinha – eu disse sem fôlego. – Já estou na metade.

- Só na metade? Não que eu esteja reclamando. – Agora que eu estava começando a me recompor do momento de pânico, eu podia sentir uma onda de felicidade surgindo dentro de mim. Ele tinha voltado.

- Você fez mais alguma coisa? – ele continuou, esperançoso.

Eu dei de ombros. – Jacob Black passou aqui.

Ele acenou, sem surpresa. – Ele escolheu bem o momento. Suponho que ele estivesse esperando eu ir embora.

- Provavelmente – eu admiti e ele de repente ficou tenso. – Porque, Edward, ele… bem, parece saber de tudo. Eu não sei se ele começou a acreditar no Billy agora -

- Eu sei – ele murmurou.

- O quê? – eu perguntei, pega desprevenida outra vez.

Mas Edward tinha andado para longe, seu rosto distante e pensativo.

Eu comecei a ficar brava. – Isso é irritante. Você vai me contar o que está acontecendo?

- Talvez – mas ele hesitou. – Posso pedir um favor antes?

Eu gemi. – Certo – eu fui sentar na cama, tentando juntar os papeis espalhados. – O que você quer? – Ele devia saber que não havia muita coisa que eu não faria por ele. Perguntar era quase supérfluo.

- Eu gostaria muito se você me prometesse ficar longe do Jacob Black. Só para minha paz de espírito.

Meu queixo caiu. Eu olhei para ele em um a descrença horrenda. – Você esta brincando – eu disse sem acreditar.

- Não, não estou – ele me olhou com olhos sombrios. – Você quase me fez ter um ataque do coração – e não é a coisa mais fácil de fazer.

Eu não entendia o que ele queria dizer com aquilo, só que ele estava fazendo exatamente o que eu tinha tanta certeza que ele não faria. – Você não pode estar falando sério. Você não pode estar pedido de verdade que eu escolha lados.

- Escolha lados? – ele perguntou, franzindo a testa.

- Jacob disse que eu teria que escolher, que você não me deixaria ser amiga dele – e eu disse que isso era ridículo – eu olhei para ele com olhos suplicantes – suplicantes para ele levar a sério.

Os olhos dele se estreitaram um pouco. – Mesmo eu odiando fazer com que o Jacob Black esteja certo… – ele começou.

- Não! – eu lamentei. – Não acredito nisso! – Eu chutei o ar, petulante, e uma pilha de inscrições voaram para o chão.

Os olhos dele ficaram frios. – Você pode escolher o outro lado – ele me lembrou.

- Não seja idiota! – eu resmunguei.

- Eu não tinha percebido que ele era tão importante para você – Edward disse numa voz melancólica. Os olhos dele ficaram duros outra vez.

- Você não está com ciúmes – eu gemi sem acreditar.

Ele fungou uma vez, e torceu o nariz de novo. – Bem, o cheiro é como se ele tivesse chegado bem perto de você hoje à tarde.

- Não foi idéia minha – Mas eu corei.

Ele notou isso. Levantou uma sobrancelha.

- Não tem absolutamente motivo algum para você ficar com ciúme de ninguém nem de qualquer coisa, nunca. Como você não sabe disso? Mas o Jacob é importante pra mim. Ele é o melhor amigo humano que eu tenho. Ele é da família. Se não fosse por ele… – eu parei, sacudindo a cabeça. Morta não era a pior coisa que eu poderia estar sem o Jacob.

- Seu melhor amigo humano – Edward repetiu em voz baixa, encarando sem ver a janela por um segundo antes de se voltar para mim. Ele veio sentar do meu lado na cama, mas deixou um espaço entre nós, o que me surpreendeu. – Eu tenho que admitir, eu devo um a ele – pelo menos uma – por salvar você do túmulo aquático. Mesmo assim, eu… preferiria que você mantivesse distancia. Porque eu estar com ciúmes ou não vem ao caso. Você já deve ter percebido a essa altura que a única coisa que me deixa preocupado é a sua segurança.

Eu pisquei, surpresa. – Segurança? O que diabos você quer dizer?

Ele suspirou, fazendo uma careta. – Não é meu segredo para contar. Por que você não perguntou ao Jacob o que está acontecendo.

- Eu perguntei.

Ele colocou os dedos nos lábios, me lembrando de falar baixo.

- Eu acabei de perguntar, de novo – eu continuei nervosa, porem mais silenciosamente. – E o Jacob disse “eu vou deixar o sanguessuga te contar essa, quando ele explicar porque você não pode ser minha amiga”.

Ele revirou os olhos, então eu continuei.

- Ele também disse para te falar “oi” – eu acrescentei, usando o mesmo tom de provocação que o Jacob tinha usado.

Ele sacudiu a cabeça, e então sorriu triste. Ele colocou as mãos nos meus ombros, me segurando um pouco longe, como se fosse para ter uma visão melhor da minha expressão. – Ótimo, então – ele disse. – Eu vou te contar tudo. Na verdade, eu vou explicar cada mínimo detalhe e responder cada pergunta que você tiver. Só que você pode fazer uma coisa para mim antes? Ele ergueu as sobrancelhas, quase se desculpando, e torceu o nariz de novo. – Se importa de lavar o seu cabelo? Você absolutamente fede a lobisomem.

Tenho que admitir, eu ainda fico triste em ter tirado essa ultima frase.

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A bolsa de estudos

(Esse é o maior pedaço que eu tirei de Lua Nova; é a maior parte do capítulo seis – “Manifesto”, como era – e mais sete cenas pequenas que completam a história da “bolsa de estudos” por todo o livro, até o final. Eu achei que tudo era engraçado, mas meus editores discordaram. Não era necessário, então foi sacrificado no altar da edição.)

A bolsa de estudos

Cena um: um dia depois da Bella ter assistido ao filme de zumbi com a Jéssica.

Eu ainda sentia falta de Phoenix em raras ocasiões, quando provocada. Agora, por exemplo, enquanto eu me dirigia ao Banco Federal de Forks para depositar meu pagamento. O que eu não daria para a conveniência de um caixa eletrônico. Ou pelo menos o anonimato de um estranho atrás do balcão.

- Boa tarde, Bella – a mãe da Jéssica me cumprimentou.

- Oi, Sra. Stanley.

- Foi tão bom que você pôde sair com a Jéssica a noite passada. Faz bastante tempo – ela estalou a língua para mim, sorrindo para fazer o som mais amigável. Algo na minha expressão devia estar errado, porque o sorrido de repente murchou, e ela passou a mão, nervosa, pelo cabelo, onde ficou presa por um minuto; o cabelo dela era tão enrolado quanto o da Jéssica, e caía numa disposição dura de cachos rígidos.

Eu sorri de volta, percebendo que foi um segundo tarde demais. Meu tempo de reação estava enferrujado.

- É – eu disse, num tom que esperava que fosse sociável. – Eu estive muito ocupada, sabe. Escola… trabalho… – eu lutei pra achar mais alguma coisa para acrescentar a minha lista curta, mas não achei nada.

- Claro – ela sorriu mais calorosamente, provavelmente feliz que minha resposta parecia de algum jeito normal e bem ajustada.

De repente me ocorreu que talvez eu não estivesse enganada quando pensava que essa fosse a razão por trás do sorriso dela. Quem sabe o que a Jéssica tinha falado pra ela sobre a noite passada? O que quer que tenha sido, não era totalmente confirmado. Eu era a filha da ex excêntrica do Charlie – insanidade podia ser genético. Associada com os doidos da cidade; eu pulei essa, me encolhendo. Vítima de um coma ambulante. Eu decidi que havia um belo dum motivo para eu ser doida, mesmo sem contar as vozes que eu escutava na minha cabeça agora, e me perguntei se a Sra. Stanley realmente pensava isso.

Ela devia ter visto a reflexão nos meus olhos. Ela desviou o olhar rapidamente, para as janelas atrás de mim.

- Trabalho – eu repeti, chamando sua atenção outra vez enquanto colocava meu cheque no balcão. – Que é a razão de eu estar aqui.

Ela sorriu de novo. O batom dela estava sumindo conforme o dia passava, e era claro que ela tinha feito o desenho maior do que seus lábios eram de verdade.

- Como estão as coisas nos Newton? Ela perguntou alegremente.

- Bem. A temporada está começando a esquentar – eu respondi automaticamente, embora ela passasse na frente do estacionamento da loja Olympic de Equipamentos todo dia – ela já devia ter visto os carros desconhecidos. Ela provavelmente conhecia os altos e baixos do negócio de mochileiros melhor do que eu.

Ela acenou distraída enquanto digitava no computado à sua frente. Meus olhos vagaram através do balcão escuro, com suas linhas laranja brilhantes, com os enfeites nos cantos. As paredes e o tapete tinham sido trocados para um cinza mais neutro, mas o balcão era a prova da antiga decoração do prédio.

- Hmmm – O murmúrio da Sra. Stanley estava um tom mais alto que o normal. Eu olhei de volta para ela, só meio interessada, imaginando se tinha alguma aranha na mesa que a tinha assustado.

Mas os olhos dela ainda estavam grudados na tela do computador. Seus dedos sem se mover agora, a expressão dela surpresa e desconfortável. Eu esperei, mas ela não disse mais nada.

- Há algo errado? – Os Newton estavam tentando passar cheques sem fundo?

- Não, não – ela sussurrou rapidamente, olhando para mim com um brilho estranho nos olhos. Ela parecia estar reprimindo algum tipo de excitação. Me lembrou da Jessica quando tinha alguma fofoca nova que estava morrendo para contar.

- Você gostaria de uma cópia do seu saldo? – A Sra. Stanley perguntou ansiosa. Não era um hábito meu – minha conta crescia tão devagar e previsivelmente que não era difícil fazer as contas na minha cabeça. Mas a mudança no tom dela me deixou curiosa. O que tinha na tela do computador que a deixou tão fascinada?

- Claro – eu concordei.

Ela apertou uma tecla e a impressora cuspiu um documento pequeno.

- Aqui está – ela tirou o papel com tanta vontade que rasgou na metade.

- Opa, desculpe por isso – ela deu a volta no balcão, sem encontrar meu olhar curioso, até que encontrasse uma fita crepe. Ela juntou os dois pedaços e me entregou.

- Er, obrigado – eu murmurei. Com o papel em mãos, eu me virei para sair, olhando rápido para ver se conseguia adivinhar qual era o problema da Sra. Stanley.

Eu achava que a minha conta devia ter US$ 1535,00. Estava errada, tinha US$ 1535, 60.

E também tinha 20 mil dólares a mais.

Eu congelei onde estava, tentando entender os números. A conta estava com 20 mil dólares a mais antes do meu depósito de hoje, que tinha sido feito corretamente.

Por um breve momento eu considerei fechar minha conta imediatamente. Mas, suspirando uma vez, eu voltei para o balcão onde a Sra. Stanley estava esperando, com olhos vivos e interessados.

- Houve algum tipo de erro no computador, Sra. Stanley – eu disse a ela, entregando o pedaço de papel. – Só devia ter US$ 1535.

Ela riu conspiratoriamente. – Eu achei que era meio estranho.

- Nos meus sonhos, NE? – eu ri de volta, impressionada com a normalidade do meu tom.

Ela digitou ligeira.

- Vejo o problema aqui… mostra um depósito feito há três semanas de 20 mil dólares de… hmmm, outro banco, me parece. Eu imagino que alguém tenha colocado os números errados.

- Vou me encrencar muito se fizer uma retirada? – eu provoquei.

Ela riu distraída enquanto continuava a digitar.

- Hmmm – ela disse de novo, sua testa franzindo em três rugas fundas. – Parece que foi uma transferência internacional. Não recebemos muitas dessas. Sabe o quê? Vou pedir para a Sra. Gerandy olhar isso aqui… – a voz dela foi sumindo enquanto ela se afastava do computador, seu pescoço se espichando para olhar a porta atrás dela. – Charlotte, está ocupada? – ela chamou.

Não houve resposta. A Sra. Stanley ignorou o silencio e andou até a porta dos fundos onde os gabinetes deveriam estar.

Eu a olhei por um minuto, mas ela não reapareceu. Eu me virei e encarei sem ver as janelas, observando a chuva cair pelo vidro. A chuva caía em jorros imprevisíveis, por vezes pingando para os lados. Eu não contei o tempo que fiquei esperando. Eu tentei deixar minha mente vagar, neutra, não pensando em nada, mas eu não conseguia retornar ao estado de semi consciência.

Eventualmente eu escutei as vozes atrás de mim de novo. Eu me virei e vi a Sra. Stanley e a esposa do Dr. Gerandy vindo até a sala da frente com o mesmo sorriso educado nos dois rostos.

- Me desculpe sobre isso, Bella – Sra. Gerandy disse. – Eu consigo arrumar isso com um simples e curto telefonema. Você pode esperar se quiser. – Ela fez um gesto para a fileira de cadeiras contra a parede. Parecia que elas eram do conjunto de uma mesa de jantar de alguém.

- Ok – eu concordei. Andei até as cadeiras e sentei bem no meio, de repente desejando que tivesse um livro. Não tinha lido nada por algum tempo, fora da escola. E mesmo assim, quando alguma história de amor ridícula fazia parte do currículo, eu trapacearia com notas prontas. Era um alívio estar trabalhando com A Revolução dos Bichos por hora. Mas tinha que ter mais livros seguros. Thrillers policiais. Assassinatos. Mistério. Assassinatos terríveis não eram um problema; contanto que não houvesse nenhum sub-trama com envolvesse olhos brilhantes e romance.

Demorou tanto que eu fiquei irritada. Estava entediada de ficar olhando para a sala cinza, sem nenhum quadro para aliviar a inexpressividade das paredes. Não conseguia ver a Sra. Stanley enquanto ela mexia em uma pilha de papeis, parando uma hora ou outra para digitar algo no computador – ela olhou para mim uma vez, e quando pegou meu olhar, pareceu desconfortável e deixou cair um arquivo. Eu podia ouvir a Sra. Gerandy sussurrando, a voz dela indo e vindo da sala dos fundos, mas não era clara o bastante para falar qualquer coisa além de que ela tinha mentido sobre o telefonema ser curto. Estava demorando tanto que era impossível para qualquer pessoa evitar de deixar a mente vagar por aí, e se isso não terminasse logo, eu não seria capaz de evitar também. Eu teria que pensar. Entrei em pânico de novo, tentando encontrar um pensamento seguro.

Fui sala pela volta da Sra. Gerandy. Eu sorri agradecida para ela quando passou pela porta, seu cabelo grosso e claro chamando a minha atenção.

- Bella, se importaria de se juntar a mim? – ela perguntou, e eu percebi que ela estava com um telefone pressionado contra sua orelha.

- Claro – eu murmurei quando ela desapareceu.

A Sra. Stanley tinha destrancado a metade da porta no final do balcão para me deixar passar. O sorriso dela estava ausente, e ela não encontrou meu olhar. Eu tinha certeza absoluta que ela estava planejando em escutar a conversa.

Minha mente correu pelas possibilidades enquanto eu ia para o gabinete. Alguém estava desviando dinheiro através da minha conta. Ou talvez o Charlie estivesse aceitando subornos e eu estava estragando o disfarce dele. Mas quem teria esse tanto de dinheiro para subornar o Charlie? Talvez o Charlie estivesse na máfia, aceitando subornos, e usando a minha conta para lavar dinheiro. Não, eu não conseguia imaginar o Charlie na máfia. Talvez fosse o Phil. Afinal eu não conhecia muito bem o Phil, conhecia?

A Sra. Gerandy ainda estava no telefone, e acenava com o queixo para uma cadeira de metal que estava na frente de sua mesa. Ela estava rabiscando rapidamente no verso de um envelope. Eu sentei, me perguntando se o Phil tinha um passado negro, e se eu ia para a cadeia.

- Obrigada, sim. Bem, acho que isso é tudo. Sim, sim. Muito obrigada por sua ajuda – a Sra. Gerandy deu um sorriso antes de desligar. Ela não parecia brava ou triste. Mais animada e confusa. O que me lembrou da Sra. Stanley na outra sala. Eu brinquei com a idéia de assustá-la por um segundo.

Mas a Sra. Gerandy falou.

- Bom, eu acho que tenho noticias muito boas para você… embora eu não tenha idéia porquê você ainda não ficou sabendo nada disso – Ela me olhou criticamente, como se esperasse que eu batesse na testa e dissesse ”ah, AQUELES vinte mil dólares! Fugiu da minha mente completamente!”

- Boas notícias? – a ficha caiu. As palavras implicavam que esse erro era complicado demais para ela resolver, e ela estava com a impressão de que eu estava mais rica do que há alguns instantes.

- Bom, se você não sabe mesmo… então parabéns! Você foi premiada com um bolsa de estudos da… – ela olhou para baixo e leu suas anotações. – Fundação Pacífica do Noroeste.

- Uma bolsa de estudos? – eu repeti sem acreditar.

- Sim, não é emocionante? Meu Deus, você vai poder ir para qualquer faculdade que quiser!

Foi naquele exato momento, enquanto ela ria feliz com a minha boa sorte, que eu descobri exatamente de onde aquele dinheiro tinha vindo. Fora o ataque de raiva repentino, a suspeita, o ultraje e a dor, eu tentei falar calmamente.

- Uma fundação que deposita uma bolsa de estudos de vinte mil dólares direto na minha conta – eu notei. – Ao invés de pagar na minha escola. Sem poder ter certeza alguma que eu use o dinheiro para pagar a faculdade.

Minha reação a deixou confusa. Ela pareceu ficar ofendida com as minhas palavras.

- Seria muito insensato não usar esse dinheiro para o propósito que foi dado, Bella, querida. Essa é uma oportunidade única.

- É claro – eu disse amargamente. – E essa Fundação Pacífica do Noroeste menciona porquê eles me escolheram?

Ela olhou para as notas de novo, suas sobrancelhas ligeiramente erguidas pelo meu tom.

- É muito prestigio – eles não dão uma bolsa de estudos como premio todos os anos.

- Aposto que não.

Ela me olhou e desviou o olhar rapidamente. – O banco em Seattle que cuida da fundação me encaminhou para um homem que administra a distribuição das bolsas. Ele disse que essa bolsa é entregue baseada no mérito, sexo e localização. É direcionada a estudantes mulheres em cidades pequenas que não tem as oportunidades disponíveis em cidades maiores.

Parecia que alguém achava que estava sendo engraçado.

- Mérito? – eu perguntei desaprovadoramente. – Eu estou na média, tiro notas oito. Posso nomear três garotas em Forks com notas melhores do que eu, e uma delas é a Jessica. Além do que – eu nunca me inscrevi para nenhuma bolsa de estudos.

Ela estava muito perturbada agora, pegando a caneta e deixando-a cair de novo, mexendo no pingente que usava entre o dedão e o indicador. Ela olhou pelas notas outra vez.

- Ele mencionou que – ela manteve os olhos no envelope, sem ter certeza do que fazer com a minha reação. – Eles não recebem inscrições. Eles pegam as inscrições rejeitadas para outras bolsas e escolhem alunos que acham que foram olhados com pouco caso. Eles acharam o seu nome em uma inscrição que você mandou para receber uma bolsa por mérito para a Universidade de Washington.

Eu senti os cantos da minha boca caírem. Eu não sabia que aquela inscrição tinha sido rejeitada. Era algo que eu tinha preenchido há tanto tempo, antes de…

Eu não tinha tentando nenhuma outra possibilidade, embora os prazos de entrega para as inscrições estavam passando. Eu não conseguia me concentrar no futuro. Mas a Universidade de Washington era o único lugar que podia me manter perto de Forks e do Charlie.

- Como eles conseguem as inscrições rejeitadas? – eu perguntei monotonamente.

- Não tenho certeza, querida – a Sra. Gerandy estava triste. Ela queria animação e estava conseguindo hostilidade. Eu queria que tivesse um jeito de explicar que toda a negatividade não era para ela. – Mas o administrador deixou o numero do telefone dele se eu tivesse alguma pergunta – pode ligar você mesma. Eu tenho certeza de que ele pode garantir que esse dinheiro é mesmo para você.

Eu fiquei na dúvida com essa. – Eu gostaria do número dele.

Ela escreveu depressa em um pedaço de papel amassado. Tomei nota mental de doar anonimamente alguns post its para o banco.

O número era de longa distância. – Ele não deixou nenhum email? – eu perguntei cética. Não queria aumentar demais a conta do Charlie.

- Na verdade, ele deixou – ela sorriu, feliz de ter algo que eu quisesse. Ela se esticou por cima da mesa para escrever outra coisa no papel.

- Obrigada, vou entrar em contato com ele assim que chegar em casa – Minha boca era uma linha fina.

- Querida – a Sra. Gerandy disse hesitante. – Você deveria ficar feliz com isso. É uma grande oportunidade.

- Eu não vou receber vinte mil dólares sem merecer – eu rebati, tentando manter um tom de insulto fora da minha voz.

Ela mordeu o lábio e olhou para baixo de novo. Ela achava que eu era doida também. Bem, eu iria fazê-la falar em voz alta.

- O que? – eu exigi.

- Bella… – ela pausou e eu esperei de dentes cerrados. – É muito mais que vinte mil dólares.

- Perdão? – eu engasguei. – Mais?

- Vinte mil dólares é o pagamento inicial, no caso. De agora em diante você receberá cinco mil dólares todos os meses até o final de sua carreira acadêmica. Se você se matricular em uma faculdade, a fundação vai continuar a paga-la! – ela ficou animada outra vez enquanto me contava isso.

Eu não consegui falar a principio, estava lívida de fúria. Cinco mil dólares por tempo ilimitado. Eu queria esmagar alguma coisa.

- Como? – eu consegui dizer.

- Não entendo o que quer dizer.

- Como eu vou receber cinco mil dólares por mês?

- Será depositado na sua conta aqui – ela respondeu, perplexa.

Houve uma pausa pequena.

- Vou fechar essa conta agora – eu disse numa voz seca.

Levou quinze minutos para eu convencê-la de que estava falando a verdade. Ela tinha um suprimento inesgotável de razões do quê isso era uma má idéia. Eu discuti nervosa até que finalmente me ocorreu que ela estava preocupada em me dar os vinte mil. Eles tinham tanto dinheiro assim por aqui?

- Olha, Sra. Gerandy – eu a assegurei. – Eu só quero sacar meus 1500 dólares Iria agradecer muito se você devolvesse o resto do dinheiro para a conta de onde ele veio. Eu vou resolver isso com esse – eu olhei o papel – Sr. Issac Randall. É realmente um erro.

Isso pareceu tranqüilizá-la.

Uns vinte minutos mais tarde, com 15 rolinhos de notas de cem, uma de vinte, uma de dez, uma de cinco, uma de um, e mais cinqüenta centavos no meu bolso, eu escapei do banco aliviada. A Sra. Stanley e a Sra. Gerandy ficara lado a lado no balcão, me encarando de olhos arregalados.

***

Cena dois: a mesma noite, depois de comprar as motos e visitar Jacob pela primeira vez…

Eu fechei a porta atrás de mim e tirei o meu fundo da faculdade do bolso. Parecia bem pequeno na palma da minha mão. Enfiei tudo no dedão de uma meia sem par e coloquei na gaveta de calcinhas. Provavelmente não era o lugar mais original, mas eu me preocuparia em ser criativa depois.

No outro bolso estava o pedaço rasgado de papel com o numero do telefone e email do Isaac Randall. Eu tirei de lá e coloquei perto do teclado do meu computador, então liguei, batendo o pé enquanto a tela lentamente brilhava para a vida.

Depois que eu me conectei, abri minha conta de email gratuita. Eu adiei, dando tempo para deletar a montanha de spam que tinha se criado nos poucos dias desde que eu tinha escrito o email para a Renée. Eventualmente eu fiquei sem ter o que fazer, e abri uma caixa para escrever uma nova mensagem.

O email era endereçado a “irandall”, então eu presumi que iria diretamente ao homem que eu queria.

Caro Sr. Randall, ­eu escrevi.

Espero que você se lembra da conversa que teve nesta manha com a Sra. Gerandy, do Banco Federal de Forks. Meu nome é Isabella Swan, e aparentemente você está com a impressão que eu fui premiada com uma bolsa de estudos muito generosa da Fundação Pacífica do Noroeste.

Peço desculpas, mas eu não posso aceitar essa bolsa. Eu pedi para que o dinheiro que eu já recebi seja devolvido para a conta de onde ele veio, e fechei minha conta no Banco Federal de Forks. Por favor, premie outra pessoa para um candidato diferente.

Obrigada, I. Swan

Tentei algumas vezes até deixar pronto – formal, sem duplos sentidos. Eu li mais duas vezes antes de enviá-lo. Não tinha certeza que tipo de instruções esse Sr. Randall havia recebido sobre a falsa bolsa de estudos, mas eu não conseguia ver nenhum furo em minha resposta.

***

Cena três: algumas semanas depois, logo depois do “encontro” de Bella e Jacob com as motos…

Quando eu voltei, peguei a correspondência na entrada. Passei rapidamente pelas contas e anúncios, até que cheguei a ultima carta da pilha.

Era um envelope normal de negócios, endereçado a mim – meu nome escrito a mão, o que era incomum. Eu olhei para o endereço de retorno interessada.

Interesse que rapidamente virou náusea. A carta era da Divisão de Bolsas de Estudo da Fundação Pacífica do Noroeste. Não havia endereço de rua embaixo do nome.

Era só o reconhecimento oficial da minha recusa, eu disse a mim mesma. Não havia razão para se sentir nervosa. Nenhum razão, exceto pelo pequeno detalhe que se eu pensasse sobre qualquer parte disso muito a fundo, eu podia ir em espiral direto para terra zumbi. Só isso.

Eu joguei o resto da correspondência na mesa para o Charlie, juntei meus livros do chão da sala de estar, e corri para cima. Uma vez em meu quarto, eu tranquei a porta e rasguei o lacre do envelope. Eu tinha que me lembrar de ficar com raiva. Raiva era a chave.

Cara Srta. Swan,

Permita-me parabenizá-la formalmente por ser premiada com a prestigiosa Bolsa de Estudos J. Nicholls da Fundação Pacífica do Noroeste. Essa bolsa de estudos não é concedida frequentemente, e você deveria ficar orgulhosa em saber que o Comitê de Bolsas de Estudo escolheu o seu nome unanimemente para receber a honra.

Tem havido algumas dificuldades em entregar o dinheiro do seu prêmio, mas por favor, não se preocupe. Eu mesmo vou garantir que você não tenha nem a menor das inconveniências. Você encontrará junto com essa carta um cheque próprio de vinte e cinco mil dólares; a bolsa inicial mais o seu primeiro auxilio mensal.

Mais uma vez eu a parabenizo por sua conquista. Por favor aceite os melhores desejos de sucesso de toda a Corporação Pacífica do Noroeste para a sua carreira acadêmica.

Atenciosamente,

I. Randall

Raiva não era o problema.

Eu olhei para o envelope e, claro, lá estava o cheque.

- Quem é essa gente? – eu rosnei entre dentes, amassando a carta, com uma mão só, até virar uma bola apertada.

Eu pisei furiosamente até a lata de lixo, para achar o número de telefone do Sr. I. Randall. Não estava nem aí que era chamada de longa distancia – essa seria uma conversa bem curta.

- Ah, merda – eu sibilei. A lata estava vazia. Charlie tinha tirado o lixo.

Eu joguei o envelope com o cheque na cama e alisei a carta. Era feita em papel de empresa, com as palavras Departamento Das Bolsas de Estudo da Fundação Pacifica do Noroeste escritas em verde escuro na parte de cima, mas não havia nenhuma informação, nenhum telefone.

- Que porcaria.

Eu caí na beirada da minha cama para pensar com clareza. Obviamente, eles iriam me ignorar. Eu não podia ter deixado minhas intenções mais claras, então isso não tinha nenhum erro de comunicação. Provavelmente não faria diferença alguma se eu ligasse.

Então havia só uma coisa a ser feita.

Eu amassei o envelope com o cheque outra vez e desci a escada.

Charlie estava na sala de estar, com a TV ligada alto.

Fui até a pia e coloque as bolas de papel nela. Então eu remexi a nossa gaveta de porcarias até achar uma caixa de fósforos. Eu risquei um, e encostei cuidadosamente numa fissura do papel. Risquei mais um, e fiz a mesma coisa. Quase fui para um terceiro, mas o papel já estava em chamas alegres, então não tinha necessidade.

- Bella? – Charlie chamou mais alto que a TV.

Eu girei a torneira rapidamente, sentindo satisfação quando a água bateu nas chamas, transformando tudo numa meleca fedida.

- Sim, pai? – eu coloquei os fósforos de volta na gaveta, e a fechei silenciosamente.

- Está sentindo cheiro de queimado?

- Não, pai.

- Hmm.

Eu limpei a pia, me certificando que toda a gosma tinha descido pelo cano, e então liguei o triturador de lixo para garantir.

Voltei para o meu quarto, me sentindo muito mais calma. Eles podiam mandar quantos cheques eles quisessem, eu pensei cruelmente. Eu sempre podia comprar mais fósforos quando aqueles acabassem.

***

Cena quatro: durante o tempo que Jacob a está evitando…

Na soleira da porta tinha um pacote do FedEx. Eu peguei curiosamente, esperando um endereço da Florida, mas era de Seattle. Não havia nenhum remetente listado do lado de fora da caixa.

Estava endereçado a mim, não ao Charlie, então eu o levei para a mesa e rasguei o lacre para abrir.

Assim que eu vi a letra verde do logo da Fundação Pacifica do Noroeste, eu senti como se a infecção do estomago tivesse voltado. Desabei na cadeira mais próxima, encarando a carta, a raiva crescendo lentamente.

Eu nem conseguia me fazer lê-la, embora não fosse longa. Eu retirei de dentro, coloquei de cabeça para baixo na mesa, e olhei de volta para a caixa, relutante, para ver o que tinha. Era um envelope grosso feito em papel-manilha. Eu estava com medo de abri-lo, mas com raiva o suficiente para tirá-lo lá de dentro.

Minha boca se tornou uma linha dura conforme eu rasgava o papel, sem me importar com o selo. Eu já tinha bastante com o que lidar no momento. Não precisava da lembrança nem da irritação.

Eu fiquei chocada, e mesmo assim, surpresa. O que mais poderia seria senão isso – três montes espessos de notas, empilhados com elásticos grossos? Eu nem tinha que olhar para os números. Sabia exatamente o quanto eles estariam tentando forçar para mim. Seriam trinta mil dólares.

Eu peguei o envelope cuidadosamente quando levantei, e me virei para jogá-lo na pia. Os fósforos estavam bem em cima na gaveta de tranqueiras, bem onde eu tinha deixado. Eu tirei um e o acendi.

O fogo foi chegando cada vez mais perto e mais perto dos meus dedos enquanto eu encarava o envelope idiota. Não conseguia fazer meus dedos o deixarem cair. Balancei o fósforo antes que ele me queimasse, meu rosto se transformando numa careta de nojo.

Eu peguei a carta da mesa, amassando até que virasse uma bola, e jogando outra divisão da pia. Acendi outro fósforo e o encostei no papel, observando com um prazer sinistro enquanto o fogo o consumia. Esquentou rápido. Me estiquei para pegar outro fósforo. Outra vez, eu o segurei, queimando, perto do envelope. De novo, queimou quase até os meus dedos antes que eu jogasse no envelope que já era um monte de cinzas. Mas eu não conseguia simplesmente queimar trinta mil dólares.

Então o que eu ia fazer com o dinheiro? Não tinha endereço para retorno – eu tinha quase certeza que a companhia nem existia.

Então me ocorreu que eu tinha sim, outro endereço.

Coloquei o dinheiro dentro da caixa do FedEX, tirando a etiqueta de destinatário, para o caso de se alguém encontrasse a caixa, não teria como me ligar ao dinheiro, e voltei para a minha picape, resmungando incoerentemente pelo caminho. Eu prometi a mim mesma que iria fazer algo especialmente imprudente com a moto essa semana. Eu pularia no ar se precisasse.

Eu odiei cada metro da viagem enquanto passava pelas arvores sombrias, trincando os dentes até que meu maxilar doesse. Os pesadelos seriam horríveis essa noite – eu estava provocando. As árvores se abriram nas samambaias, eu dirigi mais rápido e com mais raiva por elas, deixando uma marca dupla de galhos quebrados e molhados atrás de mim. Eu parei quase nos degraus da frente, deixando na banguela.

A casa estava exatamente a mesma, dolorosamente vazia, morta. Eu sabia que estava projetando meus sentimentos à aparência dela, mas isso não mudava o jeito que ela parecia pra mim. Tomando cuidado para não olhar pelas janelas, eu andei até a porta da frente. Eu desejei desesperadamente para ser o zumbi por só um minuto, mas a dormência tinha ido embora para sempre.

Eu deixei a caixa cuidadosamente no degrau da casa abandonada, e me virei para ir embora.

Eu parei no primeiro degrau. Não podia só deixar uma pilha de dinheiro na frente da porta. Era quase tão ruim quanto queimá-la.

Com um suspiro, mantendo meus olhos baixos, eu virei e peguei a caixa ofensiva. Talvez eu doasse anonimamente para uma boa causa. Caridade para pessoas com doenças sanguíneas, ou algo assim.

Mas eu estava sacudindo a cabeça quando voltei para a picape. Era o dinheiro dele, e, droga, ele ia ficar com ele. Se fosse roubado da frente da casa dele, então era culpa dele, e não minha.

Minha janela estava aberta, e ao invés de sair, eu só atirei a caixa na direção da porta com o Maximo de força que pude reunir.

Eu nunca tinha tido a melhor pontaria. A caixa se chocou ruidosamente contra a janela da frente, deixando um buraco tão grande que era como se eu tivesse jogado uma maquina de levar.

- Ah, que merda! – eu ofeguei em voz alta, cobrindo meu rosto com as mãos.

Eu devia ter sabido que, não importa o que eu fizesse, só deixaria as coisas piores.

Por sorte, o ódio voltou nessa hora. Isso era culpa dele, eu me lembrei. Eu só estava devolvendo as coisas dele. Era problema dele se ele tinha tornado essa tarefa tão difícil. Além do mais, o barulho do vidro quebrando era legal – me fez sentir um pouco melhor, de um jeito perverso.

Eu não tinha me convencido completamente, mas eu tirei a picape da banguela e dirigi de volta mesmo assim. Isso era o mais próximo de devolver o dinheiro para onde ele pertencia. E agora eu tinha feito uma caixa de correio pra lá de boa para as contas dos próximos meses. Era o melhor que eu podia fazer.

Eu repensei cem vezes depois que cheguei em casa. Procurei na agenda de telefones, algum número para vidraceiros, mas não tinha ninguém desconhecido para me ajudar. E como eu explicaria o endereço? O Charlie me prenderia por vandalismo?

***

Cena cinco: a primeira noite que Alice volta depois de ver Bella “cometendo suicídio”…

- Jasper não quis vir com você?

- Ele não aprova a minha interferência.

Eu funguei. – Você não é a única.

Ela ficou rígida, depois relaxou. – Isso tem alguma coisa a ver com o buraco na janela da frente da minha casa e uma caixa cheia de notas de cem dólares no chão da sala de estar?

- Tem sim – eu disse nervosa. – Desculpe pela janela. Foi um acidente.

- Normalmente é assim com você. O que ele fez?

- Algo chamado Fundação Pacifica do Noroeste me premiou com uma bolsa de estudos muito estranha e persistente. Não foi bem disfarçado. Quer dizer, eu não posso imaginar que ele queria que eu soubesse que era ele, mas eu espero que ele ao pense que eu sou assim tão burra.

- Por que, aquele traidor…? – Alice murmurou.

- Exatamente.

- E ele me disse para não olhar – Ela sacudiu a cabeça, irritada.

***

Cena seis: com Edward na noite depois da Itália, no quarto da Bella…

- Tem algum motivo pelo qual o perigo não pode resistir a você mais que eu resisto?

- O perigo não tenta – eu murmurei.

- É claro, parece que você andou muito ocupada procurando pelo perigo. O que você estava pensando, Bella? Eu vi na cabeça do Charlie o numero de vezes que você foi para o pronto socorro. Mencionei que estou bravo com você?

A voz dele parecia mais magoada do que nervosa.

- Por quê? Não é da sua conta – eu disse, envergonhada.

- Na verdade, eu me lembro de você me prometendo especificamente não fazer nada imprudente.

Minha resposta foi rápida. – E você não me prometeu algo sobre “não interferir”?

- Enquanto você estava quebrando sua promessa – ele qualificou cuidadosamente. – eu estava mantendo meu lado do acordo.

- Ah, verdade? Três palavras, Edward: Fundação. Pacifica. Noroeste.

Ele ergueu a cabeça para me olhar; sua expressão era confusa e inocente – inocente demais. Foi ela que o entregou. – É pra isso fazer algum sentido para mim?

- Isso é insultante – eu reclamei. – Você acha que eu sou assim tão burra?

- Eu não tenho idéia do que você está falando – ele disse, olhos arregalados.

- Que seja – eu resmunguei.

***

Cena sete, a conclusão desse extra: na mesma noite/manhã, quando eles chegam na casa dos Cullen para a votação…

De repente, a luz da varanda acendeu, e eu pude ver Esme parada à porta. Seu cabelo caramelo ondulado para trás, e ela tinha algum tipo de toalha na mão.

- Estão todos em casa? – eu perguntei esperançosamente quando subimos as escadas.

- Sim, estão – Quando ela falou, as janelas abruptamente se encheram de luz. Eu olhei atrás da mais próxima para ver quem tinha nos notado, mas a panela cheia de estilhaços grossos e cinzas na frente da janela chamou a minha atenção. Eu olhei para a perfeição do vidro, e percebi o que a Esme estava fazendo na varanda com uma toalha.

- Ah, droga, Esme! Sinto muito mesmo pela janela! Eu ia -

- Não se preocupe – ela me interrompeu com uma risada. – Alice me contou a historia, e tenho que dizer, eu não teria culpado você por ter feito isso de propósito – Ela olhou para seu filho, que estava me encarando.

Eu levantei uma sobrancelha. Ele desviou o olhar e murmurou algo indistinto sobre cavalos dados.

Narcóticos

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(Você reconhecerá essa cena do final do capítulo dois de Lua Nova. Só algumas falas estão diferentes. No primeiro rascunho, Carlisle deu remédios para a Bella para tirar a dor dos machucados, e ela teve uma reação incomum.

Por que esse ângulo foi cortado? Um, porque meus editores acharam que o astral estava errado (eu tento fazer piada de tudo, e eles tentam me conter). Dois, eles não acharam que a reação da Bella fosse real. A piada foi para eles, porque a história é baseada numa experiência real mesmo – não foi minha, dessa vez).

Narcóticos

Eu desmoronei no meu travesseiro, sufocando, minha cabeça girando. Meu braço não doía mais, mas eu não sabia se era por causa dos remédios ou do beijo. Algo ficou rondando a minha memória, vago, nos cantos…

- Desculpe – ele disse, e estava sem fôlego também. – Isso passou dos limites.

Para a minha surpresa, eu ri. – Você é engraçado – eu murmurei, e ri novamente.

Ele franziu a testa para mim no escuro. Parecia tão sério. Era engraçado demais.

Eu cobri minha boca para abafar a risada para que o Charlie não escutasse.

- Bella, você já tinha tomado Percocet antes?

- Acho que não – eu ri. – Por quê?

Ele revirou os olhos, e eu não conseguia parar de rir.

- Como está o seu braço?

- Não sinto nada. Ele ainda está aí?

Ele suspirou enquanto eu dava risada. – Tente dormir, Bella.

- Não, eu quero que você me beije de novo.

- Você está superestimando meu autocontrole.

Eu dei outra risada contida. – O que está te incomodando mais, meu sangue ou o meu corpo? – Minha pergunta me fez rir.

- É um empate – ele sorriu sem vontade. – Nunca a vi alterada. Você fica muito interessante.

- Não estou alterada – eu tentei evitar os risinhos para provar.

- Durma – ele sugeriu.

Eu percebi que estava me fazendo de tonta, o que não era muito incomum, mas ainda era vergonhoso, então tentei seguir o conselho dele. Coloquei minha cabeça em seu ombro outra vez e fechei meus olhos. Uma vez ou outra risada escapava. Mas elas ficaram menos freqüentes quando os remédios me acalmaram até eu ficar inconsciente.

Me senti completamente péssima de manhã. Meu braço queimava e minha cabeça latejava. Edward disse que eu estava de ressaca, e recomendou Tylenol ao invés de Percocet antes de beijar a minha testa e sair pela janela.

Não ajudou minha perspectiva que o rosto dele estava indiferente e remoto. Eu estava com muito medo das conclusões a que ele podia ter chegado durante a noite, enquanto me via dormir. A ansiedade pareceu aumentar a intensidade das dores na minha cabeça.

Eu tomei duas doses do Tylenol, jogando o frasquinho de Percocet na cesta de lixo do banheiro.

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extras Lua Nova

Vem, gentil noite! Vem, noite amorosa de escuras sobrancelhas!

Restitui-me o meu Romeu, e quando, mais adiante, ele vier a morrer,

Em pedacinhos o corta, como estrelas bem pequenas,

E ele a face do céu fará tão bela que apaixonado o mundo vai mostrar-se da morte…

Essa fala era o epigrafo original para Lua Nova. Por que ele mudou? Conforme eu fui passando mais tempo com o livro, eu decidi que eu queria que o epigrafo representasse mais o perigo de um possível coração despedaçado. Embora essa fala também prevê isso de certo modo, eu tive que escolher – o romance ou o aviso? Fui com o aviso.

É assim que os extras são formados – escolhendo uma história ao invés de outra, explorando uma direção que não termina exatamente onde você quer, acrescentando algo que torna a história passada obsoleta.

É claro, esse são rascunhos, é dá vergonha deixar que as pessoas os vejam. Vou passar essa vergonha por três motivos: Primeiro, humildade é uma virtude. Segundo, as pessoas gostaram tanto dos extras do Crepúsculo, e eu fico com medo que me batam se não der mais. E finalmente (essa é a verdadeira), tantos de vocês são escritores também. Eu acho que extras são muito mais interessantes pela perspectiva de um escritor. Eu espero que esses ajudem alguns de vocês que estão começando agora a serem capazes e entender o processo de edição, e serem editores próprios, sem piedade. (Só porque você ama uma coisa não significa que ela deva continuar)

Dito isto, eu não tenho tanto material para compartilhar como eu tinha com Crepúsculo. Quando eu terminei o Crepúsculo, achei que tivesse acabado mesmo. Não planejava uma seqüência. Então eu escrevi um monte de besteira, só para poder viver no mundo da Bella e do Edward por mais alguns capítulos. Com Lua Nova, eu sabia para onde a história ia, então escrevi tudo com um propósito.

Então é isso o que eu tenho para mostrar: uma pequena mudança que mostra como trocar um elemento pode transformar totalmente o astral de uma cena, uma história inteira que ia desde o capítulo seis até o vinte antes que eu tirasse, e uma maneira alternativa de desenvolver a história.

Remix do baile estendido

(Notas: Essa parte é recompensa própria no máximo. Eu estava só fazendo festa, cheia de lacinhos e tiaras rosas, bem menininha, com a idéia do baile de formatura. Leia por seu próprio risco.)

Remix do baile estendido

- Quando você vai me contar o que está acontecendo, Alice?

- Você verá, seja paciente. – ele ordeou, sorrindo diabolicamente.

Nós estávamos na minha caminhonete, mas ela estava dirigindo. Mais três semanas e eu estaria fora do gesso, e então eu ia ser muito firme com toda a história do serviço de chofer. Eu gostava de dirigir.

Era fim de maio, e de algum jeito a terra ao redor de Forks estava encontrando meios de ficar ainda mais verde que o comum. Era lindo, claro, e eu estava ficando mais conformada com a floresta, a maior parte disso devido ao fato que eu passava muito mais tempo nela que o usual. Não éramos amigas ainda, a natureza e eu, mas estávamos ficando mais próximas.

O céu estava cinza, mas isso era bem-vindo também. Era um cinza perolado, não estava nublado e nem chovia, quase quente o suficiente para mim. As nuvens estavam grossas e seguras, o tipo de nuvens que se tornaram agradáveis para mim, pela liberdade que elas garantiam.

Mas fora esse ambiente agradável, eu estava me sentindo irritada. Parcialmente por causa do comportamento estranho da Alice. Ela tinha insistido absolutamente num dia só de garotas nesse sábado de manhã, me levando até Port Angeles para nós irmos à manicure e pedicure, se recusando a aceitar o tom de rosa modesto que eu queria, mandando a manicure me pintar com um cintilante vermelho escuro – e indo mais longe e insistido em pintar as unhas do meu pé no gesso também.

Então ela me levou para fazer compras, embora eu só conseguisse experimentar metade de cada roupa. Contra meus vigorosos protestos, ela me comprou um par dos stilletos mais caros e impraticáveis – coisas que pareciam perigosas, que se seguravam só por grossos fitas de cetin que cruzavam pelo meu pé e se amarravam num laço no meu tornozelo. Eram de um azul profundo, e uma explicação em vão, eu tentei argumentar que não tinha nada que ia combinar com eles. Mesmo com o meu closet embaraçosamente cheio com as roupas que ela tinha comprado pra mim em Los Angeles – a maioria delas ainda muito leve para usar em Forks – eu tinha certeza de que não tinha nada naquele tom. Mesmo se eu tivesse alguma coisa parecida com aquela escondida em algum canto no meu armário, minhas roupas não fazia muito o estilo de saltos stilettos. Eu não fazia o estilo de saltos stilettos – não conseguia andar direito nem só de meias. Mas minha lógica incontestável era um desperdiço com ela. Ela nem respondia.

- Bom, eles não são de Biviano, mas vão ter que servir. – ela murmurava desconcertantemente, e então não falava mais enquanto soltava o cartão de crédito nos funcionários impressionados.

Ela me deu o almoço pela janela de um drive trhu de uma lanchonete, me dizendo que eu teria que comer no carro, mas se recusando a explicar a razão da pressa. Mais de uma vez eu tive que lembrá-la que a minha picape simplesmente não era capaz de ir tão rápido quanto carros esportivos, mesmo com as modificações de Rosalie, e por favor que desse um tempo para a pobre coisa. Geralmente Alice era minha chofer preferida. Ela não se importava em dirigir a meros 30 ou 40 km/h acima do limite de velocidade, enquanto outras pessoas simplesmente não aguentavam.

Mas a agenda secreta de Alice era só metade de problema, claro. Eu também estava pateticamente ansiosa porque não via o rosto de Edward em quase seis horas, e isso tinha que ser um recorde por pelo menos os últimos dois meses.

Charlie tinha sido difícil, mas não impossível. Ele estava conformado com a presença constante do Edward quando ele voltava para casa, não achando nada para reclamar quando ele sentava por cima do nosso dever de casa na mesa da cozinha – ele até parecia gostar da companhia do Edward quando eles gritavam juntos assistindo jogos na ESPN. Mas ele não tinha perdido nada de sua severidade quando ele cruelmente segurava a porta aberta para o Edward, precisamente às dez da noite toda a noite durante a semana. Claro que o Charlie era completamente inconsciente da habilidade do Edward de levar seu carro para casa e voltar para a minha janela em menos de dez minutos.

Ele era muito mais agradável com Alice, algumas vezes chegava a dar vergonha. Obviamente, até eu ter trocado o gesso gigante por um mais maleável, eu precisava de uma ajuda feminina. Alice era um anjo, uma irmã; toda a noite e toda a manhã ela aparecia para me ajudar com as minha rotina diária. Charlie ficou enormemente grato de ser poupado do horror de uma filha quase adulta que precisava de ajuda para tomar banho – esse tipo de coisa estava muito além da sua zona confortável, e da minha também, no caso. Mas foi com mais que gratidão que Charlie começou a chamá-la de “anjo”, como um apelido, e a olhava com olhos espantados enquanto ela dançava sorridente pela casa pequena, a iluminando. Nenhum humano falhava em ser afetado por sua graciosidade e beleza incríveis, e quando ela deslizava pela porta toda a noite com um “Vejo você amanhã, Charlie”, e o deixava atordoado.

- Alice, vamos para casa agora? – eu perguntei agora, as duas entendendo que eu falava da casa branca perto do rio.

- Sim – ela sorriu, me conhecendo. – Mas o Edward não está lá.

Eu fiz uma careta. – Onde ele está?

- Ele tinha alguns serviços para fazer.

- Serviços? – eu repeti inexpressiva. – Alice – meu tom ficou persuasivo. – por favor me conte o que está acontecendo.

Ela balançou a cabeça, ainda sorrindo bastante. – Estou me divertindo muito – ela explicou.

Quando voltamos para a casa, Alice me levou direto escada acima, para o banheiro dela que era do tamanho de um quarto. Fiquei surpresa de encontrar Rosalie lá, esperando com um sorriso celestial, atrás de uma cadeira baixa e rosa. Uma coleção de explodir a mente de ferramentas e produtos cobria todo o balcão.

- Sente – Alice comandou. Eu a considerei por um minuto, e então, decidindo que ela estava preparada para usar força se necessário, fui para a cadeira e me sentei com toda a dignidade que podia administrar. Rosalie imediatamente começou a pentear meu cabelo.

- Acho que você não vai me dizer sobre o que é isso tudo, né? – eu a perguntei.

- Você pode me torturar – ela murmurou, concentrada no meu cabelo. – mas eu nunca vou contar.

Rosalie segurou minha cabeça na pia enquanto Alice esfregava um shampoo que cheirava menta e laranja no meu cabelo. Alice enxugou os nós com uma toalha furiosamente, e depois jogou quase um frasco todo de spray de alguma coisa – esse cheirava pepino – nas mechas úmidas e enxugou de novo.

Elas pentearam o resto da juba rápido então; o que quer que a coisa de pepino fosse, fez as mechas se comportarem. Eu talvez fosse emprestar um pouco daquilo. Então cada uma pegou um secador e começou a trabalhar.

Conforme os minutos passavam, e elas continuavam a achar novas mechas que pingavam, seus rostos começaram a ficar um pouco preocupados. Eu sorri alegremente. Algumas coisas nem vampiros conseguiam acelerar.

- Ela tem um monte de cabelo – Rosalie comentou numa voz ansiosa.

- Jasper – Alice chamou claramente, porém sem gritar. – Me ache outro secador!

Jasper veio ao resgate delas, se algum jeito chegando com outros dois secadores, que ele apontou para a minha cabeça, profundamente distraído, enquanto elas continuaram a trabalharam com os delas.

- Jasper… – eu comecei esperançosa.

- Desculpe, Bella. Não estou autorizado a dizer nada.

Ele escapou agradecido quando finalmente tudo estava seco – e armado. Meu cabelo ficou uns 7 centímetros acima da minha cabeça.

- O que vocês fizeram comigo? – eu perguntei horrorizada. Mas elas me ignoraram, pegando uma caixa de babyliss.

Tentei convencê-las que meu cabelo não enrolava, mas elas me ignoraram, empapando cada mecha em uma coisa amarela antes de colocarem no cilindro quente.

- Você encontrou sapatos? – Rosalie perguntou intensamente enquanto elas trabalhavam, como se a resposta fosse de vital importância.

- Sim – são perfeitos. – Alice ronronou com satisfação.

Eu vi Rosalie pelo espelho, acenando como se um grande peso tivesse sido tirado de sua mente.

- Seu cabelo está bonito – eu notei. Não que não era sempre ideal – mas ela tinha prendido essa tarde, criando uma coroa de cachos dourados e macios em cima de sua cabeça perfeita.

- Obrigada – ela sorriu. Elas tinham começado a segunda rodada de babyliss agora.

- O que você acha de maquiagem? – Alice perguntou.

-É um tormento – eu tentei. Elas me ignoraram.

- Ela não precisa de muita – a pele dela é melhor limpa. – Rosalie meditou.

- Batom, peloe menos – Alice decidiu.

- E rímel e delineador também – Rosalie acrescentou. – só um pouco.

Eu suspirei alto. Alice riu. – Seja paciente, Bella. Estamos nos divertindo.

- Bom, se vocês estão… – eu murmurei.

Elas terminaram de prender todos os cachos bem apertados e inconfortáveis na minha cabeça.

- Vamos vesti-la – a voz de Alice tremeu de expectativa. – Ela não esperou eu sair do banheiro com as próprias pernas. Ao invés ela me levantou e me carregou para o quarto grande e branco de Rosalie e Emmett. Em cima da cama tinha um vestido. Azul profundo, é claro.

- O que você acha? – Alice perguntou, estridente.

Essa era uma boa pergunta. Tinha alguns babados, aparentemente feito para ser usado baixo e sem ombros, com mangas longas e soltas que se fechavam nos pulsos. O tecido do corpete era cercado por outro tecido azul, pálido e florido, que dobrava para formar um fino franzido no lado esquerdo. O material do tecido florido era longo nas costas, mas aberto na frente em várias camadas de renda macia, clareando o tom conforme eles desciam para a bainha.

- Alice – eu choraminguei. – Não posso usar isso

- Por quê? – ela exigiu numa voz dura.

- A parte de cima é completamente transparente!

- Isso vai por baixo – Rosalie segurou a peça azul clara, de aparência sinistra.

- O que é isso? – eu perguntei temerosa.

- É um espartilho, bobinha – Alice disse, impaciente. – Agora você vai colocá-lo, ou eu preciso chamar o Jasper e pedir pra ele segurar você enquanto eu coloco? – ela ameaçou.

- Era pra você ser minha amiga – eu acusei.

- Seja boazinha, Bella – ela suspirou. – Eu não me lembro de ser humana e estou tentando ter uma diversão substituta aqui. Além do mais, é para o seu bem.

Eu reclamei e fiquei vermelha muitas vezes, mas não demorou muito tempo para elas me colocarem no vestido. Eu tinha que admitir, o espartilho tinha suas vantagens.

- Nossa – eu tomei fôlego. – Eu tenho um colo.

- Quem diria – Alice riu, encantada com seu trabalho. Mas eu não estava completamente convencida.

- Você não acha que esse vestido é um pouco… não sei… muito moderna para Forks? – eu perguntei hesitante.

- Acho que as palavras que você está perguntando são alta costura – Rosalie riu.

- Não é para Forks, é para o Edward – Alice insistiu. – É exatamente certo.

Elas me levaram de volta para o banheiro então, soltando os cachos com os dedos voando. Para o meu choque, cascadas de cabelo caíram. Rosalie puxou a maioria deles para cima, cuidadosamente os virando num rabo-de-cavalo que caíram numa linha grossa nas minhas costas. Enquanto ela trabalhava, Alice rapidamente pintou uma fina risca preta ao redor dos meus olhos, passou rímel e pintou minha boca atentamente com um batom vermelho escuro. Então ela lançou-se para fora do quarto e retornou prontamente com os sapatos.

- Perfeitos – Rosalie suspirou quando Alice os levantou para ser admirados.

Alice amarrou o sapato mortal com habilidade, e então olhou para o meu gesso com um olhar reflexivo.

- Acho que nós fizemos o possível – ela sacudiu a cabeça tristemente. – Você não acha que o Carlisle nos deixaria…?

- Duvido – Rosalie respondeu seca. – Alice suspirou.

As duas levantaram as cabeças então.

- Ele voltou – Eu soube a qual “ele” elas se referiam, e eu senti fortes borboletas no meu estômago.

- Ele pode esperar. Tem mais uma coisa importante – Alice disse firme. Ela me levantou de novo – uma necessidade, eu tinha certeza de que não conseguiria andar com aquele sapato – e me carregou para o quarto dela, onde me colocou gentilmente no chão em frente ao seu espelho grande, de moldura de ouro e estendido.

- Pronto – ela disse. – Vê?

Eu olhei a estranha no espelho. Ela parecia bem alta no sapato de salto alto, com a longa e estreita linha do vestido apertado ajudando nessa ilusão. O espartilho decotado – onde a incomum e impressionante linha do busto chamou minha atenção de novo – deixava o pescoço dela muito longo, assim como a coluna de cachos brilhantes que desciam pelas suas costas. O azul profundo do tecido era perfeito, destacando o tom de creme da sua pele de marfim, o rosa da maquiagem em suas bochechas. Ela estava muito bonita, eu tinha que admitir.

- Ok, Alice – eu sorri. – Eu vejo.

- Não se esqueça – ela ordenou.

Ela me levantou outra vez e me carregou para o topo das escadas.

- Se vire e feche os olhos! – ela mandou para o começo das escadas. – E fique fora da minha cabeça – não estrague isso.

Ela hesitou, descendo mais devagar que o normal pela escada até que ela pudesse ver que ele tinha obedecido. E então ela voou pelo resto do caminho. Edward estava parado na porta, de costas, muito alto e escuro – eu nunca o tinha visto usando preto antes. Alice de colocou de pé, amaciando as camadas do meu vestido, virando um cacho no lugar e então ela me deixou lá, indo se sentar no banco do piano para assistir. Rosalie seguiu para sentar com ela na aduciência.

- Posso olhar? – a voz dele estava intensa de ansiedade – fez meu coração bater irregular.

- Sim… agora – Alice direcionou.

Ele se virou imediatamente, então congelou, seus olhos cor de topázio arregalados. Eu podia sentir o calor subindo pelo meu pescoço e colorindo minhas bochechas. Ele estava maravilhoso; senti uma fagulha do velho medo, de que ele fosse só um sonho, que não era real. Ele estava usando um smoking, e pertencia a uma tela de cinema, não ao meu lado. Eu olhei para ele com uma descrença apavorada.

Ele andou lentamente na minha direção, hesitando um passo quando me alcançou.

- Alice, Rosalie… obrigado – ele suspirou sem tirar os olhos de mim. Ouvi Alice rir de prazer.

Ele deu mais um passo, colocando uma mão fria embaixo do meu queixo, e parando para colocar os lábios na minha garganta.

- É você – ele murmurou contra a minha pele. Ele se afastou, e havia flores brancas em sua outra mão.

- Frésia – ele me informou enquanto as colocava nos meus cachos. – Completamente redundante, considerando a fragrância, claro – ele foi para trás, me olhando de novo. Sorriu seu sorriso de parar o coração. – Você está absurdamente linda.

- Você roubou minha fala – manti minha voz o mais leve que eu podia. – Justo quando eu me convenço de que você é real de verdade, você aparece vestido assim e eu fico com medo de que estou sonhando de novo.

Ele me levantou para seus braços. Ele me segurou perto de seu rosto, seus olhos queimando que me colocou ainda mais perto.

- Cuidado com o batom! – Alice mandou.

Ele riu com rebeldia, mas deixou sua boca cair para o espaço acima da minha clavícula.

- Você está pronta para ir? – ele perguntou.

- Alguém vai me dizer que ocasião é?

Ele riu outra vez, olhando por cima do ombro para suas irmãs. – Ela não adivinhou?

- Não – Alice deu uma risada. Edward riu junto, satisfeito. Fiz uma careta.

- O que estou perdendo?

- Não se preocupe, você vai descobrir daqui a pouco – ele me garantiu.

- Coloque-a no chão, Edward, para que eu possa tirar uma foto – Esme estava descendo a escada com uma câmera prateada na mão.

- Fotos? – eu murmurei, quando ele me equilibrou gentilmente no meu pé bom. Estava começando a ter um mau pressentimento com essa coisa toda. – Você vai aparecer no filme? – eu perguntei sarcasticamente.

Eu sorriu para mim.

Esme tirou várias fotos de nós, até que o Edward ainda rindo insistiu que iríamos nos atrasar.

- Nos vemos lá – Alice disse enquanto ele me carregava até a porta.

- Alice vai estar lá? Onde quer que lá seja? – me senti um pouco melhor.

- Com Jasper, e Emmett e Rosalie.

Minha testa enrugou de concentração quando eu tentei desvendar o segredo. Ele abafou o ris pela minha expressão.

- Bella – Esme me chamou. – Seu pai está no telefone.

- Charlie? – Edward e eu perguntamos simultaneamente. Esme me trouxe o telefone, mas ele o agarrou quando ela tentou me entregar, me segurando para longe sem esforço com um braço.

- Hey! – eu protestei, mas ele já estava falando.

- Charlie? Sou eu. O que há de errado? – ele parecia preocupado. Meu rosto empalideceu. Mas então a expressão dele ficou divertida – e subitamente perversa.

- Dê o telefone para ele, Charlie – deixe-me falar com ele – O que quer que estivesse acontecendo, Edward estava se divertindo um pouco demais para Charlie estar em algum perigo. Eu relaxei.

- Olá, Tyler, aqui é Edward Cullen – a voz dele estava muito amigável, na superfície. Eu a conhecia o bastante para pegar o tom de ameaça. O que o Tyler estava fazendo na minha casa? A verdade horrorosa começou a me atingir.

- Desculpe se houve algum tipo de erro de comunicação, mas a Bella não está disponível esta noite – O tom do Edward mudou, a ameaça em sua voz de tornou muito mais evidente quando ele continuou. – Para ser honesto, ela estará indisponível todas as noites, para qualquer um que não seja eu mesmo. Sem ofensa. E sinto muito por sua noite – ele não parecia sentir nenhum pouco. Então fechou o telefone, um sorriso enorme no rosto.

- Você está me levando para a formatura! – eu acusei furiosamente. Meu rosto e pescoço ficaram vermelhos de ódio. Eu podia sentir as lágrimas produzidas pela raiva começando a encher meus olhos.

Ele não estava esperando a força da minha reação, isso era claro. Ele juntou os lábios e seus olhos escureceram.

- Não seja difícil, Bella.

- Bella, todos nós vamos – Alice encorajou, de repente no meu ombro.

- Por que você está fazendo isso comigo? – eu exigi.

- Será divertido – Alice ainda estava muito otimista.

Mas Edward se curvou para sussurrar no meu ouvido, sua voz de veludo séria. – Você só é humana uma vez, Bella. Me distraia.

Então ele liberou total força de seus olhos dourados em mim, derretendo minha resistência com o calor deles.

- Ótimo – eu fiz um biquinho, incapaz de fazer uma cara tão feia como eu teria gostado. – Eu vou por bem. Mas você verá – eu avisei sinistramente – essa é a má sorte com que você tem se preocupado. Provavelmente vou quebrar a outra perna. Olha esse sapato! É um armadilha mortal! – eu estique minha perna boa como evidencia.

- Hmmm – ele olhou para a minha perna por mais tempo do que o necessário, depois olhou para Alice com os olhos brilhantes. – De novo, obrigado.

- Vai chegar atrasado na casa do Charlie – Esme o lembrou.

- Certo, vamos – ele me girou pela porta.

- Charlie está por dentro disso? – eu perguntei entre dentes.

- Claro – ele sorriu.

Eu estava preocupada, então não notei num primeiro momento. Só estava vagamente consciente do carro prata e achei que era o Volvo. Mas então ele parou para me colocar no que achei que era o chão.

- O que é isso? – eu perguntei, surpresa em me encontrar em um cupê. – Onde está o Volvo?

- O Volvo é o meu carro de todo o dia. – ele me disse cuidadosamente, apreensivo que eu talvez fosse surtar de novo. – Esse é o carro das ocasiões especiais.

- O que o Charlie vai pensar? – eu balancei a cabeça, desaprovadora, enquanto ele entrava e ligava o motor. Ele rugiu.

- Ah, a maioria da população de Forks pensa que o Carlisle é um ávido colecionador de carros – Ele acelerou pela floresta em direção à rodovia.

- E ele não é?

- Não, esse é mais meu hobby. Rosalie coleciona carros também, mas ela prefere brincar mais com os interiores deles do que dirigi-los. Ela trabalhou bastante nesse aqui para mim.

Eu ainda estava imaginando o porquê de voltarmos para a casa do Charlie quando ele estacionou na frente dela. A luz da varanda estava acesa, embora ainda nem fosse pôr-do-sol. Charlie devia estar esperando, provavelmente espiando pelas janelas agora. Eu comecei a corar, me perguntando se a primeira reação do meu pai com relação ao vestido seria mesma que a minha. Edward deu a volta no carro, devagar para ele, para abrir a minha porta – confirmando as minhas suspeitas de que o Charlie estava observando.

Então, quando o Edward estava me levantando do carro, Charlie – o que era muito difícil de fazer – saiu para o jardim para nos receber. Minhas bochechas queimaram; Edward notou e me olhou curioso. Mas eu nem precisava ter me preocupado. Charlie nem me viu.

- Isso é um Aston Martin? – ele perguntou a Edward numa voz reverente.

- Sim – o Vanquish – Os cantos de sua boca se viraram, mas ele os controlou.

Charlie soltou um assobio baixo.

- Não quer dar a ela uma tentativa? – Edward segurou a chave.

Os olhos do Charlie finalmente deixaram o carro. Ele olhou para o Edward sem acreditar – colorido por um pequeno sinal de esperança.

- Não – ele disse, relutante. – O que o seu pai diria?

- Carlisle não vai se importar nenhum pouco – Edward disse sincero. – Vai em frente – Ele pressionou a chave na mão bem disposta de Charlie.

- Só uma voltinha então… – Charlie já estava alisando o pára-choque com uma mão.

Edward me ajudou a mancar até a porta da frente, me levantando quando estávamos dentro, e me carregando até a cozinha.

- Funcionou bem – eu disse. – Ele nem teve chance de surtar com o vestido.

Edward piscou. – Não pensei nisso – ele admitiu. Os olhos dele passaram pelo meu vestido de novo com uma expressão crítica. – Acho que foi bom não termos pego a picape, clássica ou não.

Eu desviei os olhos sem vontade do seu rosto por tempo o suficiente para notar que a cozinha estava escura. Tinham velas na mesa, muitas delas, talvez vinte ou trinta velas altas e brancas. A mesa velha estava coberta com uma toalha grande e longa, assim como duas cadeiras.

- É nisso que você esteve trabalhando o dia todo?

- Não – isso levou só um segundo. Foi a comida que levou o dia todo. Eu sei que você acha que restaurantes chiques desnecessários, não que existam muitas escolhas que se encaixem nessa categoria por aqui, mas decidi que você não podia reclamar sobre a sua própria cozinha.

Ele me sentou em uma das cadeiras envoltas no pano branco, e começou a tirar coisas do forno e da geladeira. Notei que só tinha um lugar preparado.

- Não vai alimentar o Charlie também? Ele vai voltar pra casa alguma hora.

- Charlie não agüentava mais comer outro pedaço – quem você achou que foi meu degustador? Tive que ter certeza de que tudo isso fosse comestível – Ele colocou um prato na minha frente, cheio de coisas que pareciam muito comestíveis. Suspirei.

- Ainda está brava? – Ele puxou a outra cadeira do outro lado da mesa para que pudesse sentar ao meu lado.

- Não. Bem, sim, mas não no momento. Só estava pensando – aí se vai, a única coisa que eu podia fazer melhor que você. Está com uma cara ótima – eu suspirei outra vez.

Ele riu. – Você nem experimentou – seja otimista, talvez esteja horrível.

Eu deu uma mordida, parei, e fiz uma careta.

- Está horrível? – ele perguntou, chocado.

- Não, está deliciosa, naturalmente.

- Que alívio – ele sorriu, tão lindo. – Não fique preocupada, ainda há muitas coisas em que você é melhor.

- Fale só uma.

Ele não respondeu na hora, só passou seus dedos frios na linha da minha clavícula, sustentando meu olhar com seus olhos ardentes até que eu senti minha pele queimar e ficar vermelha.

- Tem isso – ele murmurou, tocando minha bochecha escarlate. – Nunca vi ninguém corar tão bem como você.

- Maravilha – eu olhei com cara feia. – Reações involuntárias – algo de que eu possa ter orgulho.

- Você também é a pessoa mais corajosa que eu conheço.

- Corajosa?

- Você passa todo o seu tempo livre na companhia de vampiros; isso exige alguns nervos. E você não se preocupa em se colocar a uma proximidade arriscada dos meus dentes…

Eu sacudi a cabeça. – Sabia que você não ia conseguir achar nada.

Ele riu. – Estou falando sério, sabe. Mas não faz mal. Coma – ele pegou meu garfo, impaciente e começou a me alimentar. A comida estava toda perfeita, lógico.

Charlie voltou para casa quando eu estava quase acabando. Observei sua cara cautelosamente, mas minha sorte ainda estava presente, ele ainda estava embasbacado com o carro para notar como eu estava vestida. Ele entregou as chaves de volta para Edward.

- Obrigado, Edward – ele sorriu sonhador. – Que carrão.

- Não por isso.

- Como tudo ficou? – Charlie olhou meu prato vazio.

- Perfeito – eu suspirei.

- Sabe, Bella, talvez seja melhor você deixá-lo praticar sua culinária para nós outras vezes – ele aconselhou.

Dei um olhar zangado para Edward. – Tenho certeza que ele vai praticar, pai.

Não foi até nos chegarmos a porta que o Charlie acordou completamente. Edward estava com os braços ao redor da minha cintura, por equilíbrio e suporte, enquanto eu avançava com meu sapato instável.

- Hm, você está… muito adulta, Bella – eu podia ouvir o começo da desaprovação paterna se espalhando.

- Foi a Alice que me vestiu. Não dei muita opinião em nada.

Edward deu uma risadinha tão baixa que só eu escutei.

- Bom, se foi a Alice… – sua voz foi morrendo, e ele de algum jeito ficou mais tranquilo. – Você está bonita, Bella. Ele fez uma pausa, um brilho malicioso em seus olhos. – Então, devo esperar mais rapazes de terno aparecerem na minha porta hoje?

Eu gemi e Edward abafou o riso. Como alguém podia ser tão cego quanto o Tyler, eu não podia imaginar. Não era como se eu e Edward fossemos exatamente secretos na escola. Nós chegávamos e íamos embora juntos, ele me carregava para todas as aulas, eu sentava com ele e sua família no almoço todos os dias e ele não era tímido em me beijar na frente das testemunhas também. Tyler claramente precisava de ajuda profissional.

- Espero que sim – Edward sorriu para o meu pai. – Tem uma geladeira cheia de sobras – dia a eles para se servirem.

- Acho que não – aqueles são meus – Charlie sussurrou.

- Anote os nomes para mim, Charlie – o traço de ameaça só era audível para mim.

- Ah, chega! – eu ordenei.

Graças a Deus, nós finalmente entramos no carro e fomos embora.