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BAKUGAN

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Saiba como será o novo livro de Stephenie Meyer

>>Veja a galeria de Eclipse



The short Second Life of Bree Tanner é o novo livro de Stephenie Meyer e dá continuidade - ainda que de forma paralela - à Saga Crepúsculo. Agora, a editora que publicará o livro na Espanha revelou a sinopse contando como será a história:



"Bree Tanner é uma vampira recém-criada por Victoria (vivida em Eclipse por Bryce Dallas Howard) com o objetivo de matar Bella (Kristen Stewart). Bree faz amizade com Diego, um outro vampiro recém-criado e que é seu possível interesse amoroso. Ambos julgam terem sido usados e passam a ter dúvidas das reais intenções de Victoria. A nova vampira é diferente e bem menos violenta do que outros sanguessugas. Durante a história, Diego desaparece misteriosamente e deixa Bree ainda mais confusa sobre o que fazer. A jovem vampira também faz amizade com Riley, um outr recém-criad um pouco diferente que tem o poder de soltar um cheiro terrível capaz de irritar outros recém-criados. Riley convence Bree a participar da batalha que se desenrola e que a levará à morte nas mãos dos Volturi."

Bree é uma personagem que aparece rapidamente em Eclipse, terceiro livro da série e que também estará no longa. O lançamento será no dia 5 de junho, 25 dias antes da estreia do novo longa nos cinemas.

Nas telas, a personagem será interpretada por Jodelle Ferland (na foto abaixo). Não foi divulgado se esse livro irá virar filme.

domingo, 14 de março de 2010

Kristen Stewart diz que não pode "apalpar" colega em cena de beijo gay

Kristen Stewart, 19, e Dakota Fanning, 15, que aparecem se beijando no filme "The Runaways", tiveram que se preocupar com a lei enquanto rodavam a cena. "Ela tem 15 anos e eu não tinha permissão para apalpá-la", disse Kristen ao site Access Hollywood durante uma coletiva de imprensa para promover o filme.

"Não estou brincando, existem várias restrições que eu nem me lembrava que haviam quando eu era mais jovem", disse a atriz, também protagonista da saga "Crepúsculo".


Divulgação
As atrizes Dakota Fanning e Kristen Stewart em cena do filme "The Runaways"
As atrizes Dakota Fanning e Kristen Stewart em cena do filme "The Runaways"

Sobre a cena "romântica" entre as duas, Kristen disse que "é apenas um beijo, nada demais". "É algo que aconteceu na vida delas. No roteiro, não é uma coisa sobre o qual elas ficam falando depois", completou Dakota.

No filme, a dupla interpreta as integrantes do grupo dos anos 70 The Runaways, Joan Jett (Kristen) e Cherie Currie (Dakota).

As atrizes afirmam que adoraram os figurinos usados no filme e que pretendem levar alguns deles para a vida real. "Adorei as roupas, fiquei com a maioria delas", disse Dakota.

Lidar com "vampiros da vida real" exige mais do que crucifixos, alho e água benta

Divulgação

Devido ao sucesso da série "Crepúsculo", da escritora Stephenie Meyer, nunca se ouviu tanto falar em vampiros. Vários outros livros surgiram após o fenômeno editorial, e as charmosas e fictícias criaturas das trevas estão em alta entre o público jovem. Na vida real, porém, elas sugam energia, em vez de sangue, e estão longe de ter o ar sexy e misterioso de Edward Cullen, interpretado por Robert Pattinson no cinema. Os vampiros “de verdade” assumem diversas formas conhecidas: podem ser aquela colega de trabalho invejosa, o chefe opressor ou a amiga que adora bancar a vítima. Lidar com elas exige muito mais do que crucifixo, água benta ou alho: requer jogo de cintura, maturidade e paciência. “Os vampiros emocionais solicitam grande demanda emocional, necessitando de diversas formas de atenção daqueles que os cercam. Em geral são pessoas inseguras, que não conseguem atingir um contato satisfatório com elas mesmas. Daí, acabam projetando suas dificuldades em outra pessoa”, explica a psiquiatra Renata Camacho, especialista em saúde mental da mulher. Para o psicólogo canadense Albert J. Bernstein, autor de “Vampiros Emocionais” (Ed. Campus), eles sempre colocam suas necessidades à frente das alheias e acreditam que as normas se aplicam aos outros, nunca a eles.

Existem relações que podem ser extremamente parasitárias – um sinal típico da existência da "vampirização emocional". Isso acontece quando a pessoa se alimenta de você sugando toda a sua energia física e/ou emocional. Quando estamos diante dessas pessoas, nos sentimos exaustos fisicamente, sonolentos, fracos ou agitados. Existem muitas características que podem ser associadas aos vampiros emocionais. Uma delas é o narcisismo, em que a pessoa está voltada apenas para ela mesma, ignorando os sentimentos ou as necessidades do outro.

Tipos básicos

segundo a psicóloga Sâmia Simurro, vice-presidente de projetos da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), existem três tipos básicos de vampiros emocionais. “O primeiro inclui as pessoas que tendem a se posicionar como vítimas por serem extremamente carentes e ‘sugam’ toda a sua energia emocional”, explica. A pessoa que sempre se faz de vítima manipula a outra e chama sua atenção. É importante estar atento a este tipo de personalidade, que sempre se coloca no papel de coitada e utiliza deste meio para conseguir tudo o que quer. O segundo, para Sâmia, reúne aquelas pessoas altamente críticas e condenatórias, que apontam a todo o momento as falhas alheias. “Elas também tiram o seu brilho e a inibem o tempo todo. Você sempre se sente inadequado diante delas. E, por último, existem aquelas pessoas que têm a necessidade de serem sempre o centro das atenções, criando situações de drama em que você não consegue se posicionar”, explica. Para Sâmia, todos esses comportamentos são originados a partir de experiências negativas. Essas pessoas, em geral, sentem-se vazias e buscam em você reconhecimento, atenção e aprovação para preencher suas vidas.

A secretária Ana Paula Lopes, 25 anos, de São Paulo, enfrenta uma “vampirização” muito comum: tem uma amiga que nunca telefona ou manda e-mails perguntando como ela está. E quando se encontram, a amiga egocêntrica faz com que a conversa gire somente em torno dela. “A maior dificuldade no processo da comunicação é ouvir. A dificuldade destas pessoas não é só ouvir os outros, mas também ouvir a si mesma. Uma das estratégias para interromper o falar sem parar é, por exemplo, fazer algo fora do padrão daquele momento, como olhar o relógio, pegar o celular, tossir, se levantar (se estiver sentada), algo que quebre o ritmo”, recomenda o consultor Eduardo Shinyashiki, diretor da Sociedade Cre Ser Treinamentos e autor de “Viva Como Você Quer Viver” (Editora Gente).

Egocentrismo

Para a psicóloga Marilda Lipp, presidente do Centro Psicológico do Controle do Estresse, com sede em Campinas (SP), muitas vezes as pessoas “vampirescas” não percebem o efeito negativo de seu comportamento nos outros porque são egocêntricas, voltadas para si mesmas, com pouco interesse verdadeiro no que não lhe diz respeito. “Este egocentrismo pode ser devido a um traço de personalidade, uma disfunção psicológica, ou pode ser algo totalmente temporário que ocorre em momentos de estresse e crise”, explica. “No estresse emocional, a pessoa está sempre voltada para si mesma, pois necessita fazer um esforço grande para preservar sua sobrevivência. O egocentrismo é uma característica da pessoa estressada que, sem energia para nada mais do que se manter funcionando na vida, acaba deprimindo e cansando as pessoas ao seu redor. Mas, deve-se lembrar de que, no caso do estresse excessivo, uma vez que a crise passe, há um retorno ao funcionamento normal”, completa.

Erro alheio

Outro tipo de vampiro comum é aquele que se preocupa mais com a vida alheia do que a própria. “Ele pergunta tudo, quer saber tudo, e depois também critica tudo. Pode-se chamar este sugador de ‘especulador crítico’. O interesse dessas pessoas não é real, buscam apenas informações que possam comprovar o quanto os outros erram ou são incompetentes em uma tentativa de se sentirem melhor quanto aos seus próprios defeitos”, diz Marilda Lipp. A crítica é uma forma de fazer com que o outro se sinta inferior, e sempre que nos sentimos inferiores, sentimos também depressão. Como a palavra diz, “depressão” é o oposto de “ação”. Fica-se depressivo, inativo, apático na depressão porque a energia foi desviada.

Abuso da boa vontade

Há, ainda, quem costuma jogar as cobranças que recebeu nas costas dos outros. Para lidar com gente assim, é necessário estabelecer limites: aprender a dizer não e limitar a interação com essa pessoa, para não permitir que uma relação invasiva possa potencializar os problemas que tem com esse tipo de relacionamento. Em muitas situações, essa pessoa não quer assumir responsabilidades e utiliza a boa vontade dos outros para que realizem o que , na verdade, seria tarefa dela.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Febrace: "Crepúsculo" e camelôs viram projetos em feira de ciências

Até a saga "Crepúsculo" teve seu momento de estrelato na Febrace (Feira Brasileira de Ciências e Engenharia). É uma prova que nem só de exatas e biológicas vivem as feiras de ciências. O evento acontece até sexta-feira (11), na Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), em São Paulo.

Rodrigo Paiva/UOL
O projeto das três estudantes era verificar se houve aumento no índice de leitura dos jovens por causa da saga "Crepúsculo"
Rodrigo Paiva/UOL
Um "Óculos-mouse" brasileiro foi a invenção do trio gaúcho. O modelo sai por R$ 50; o similar, R$ 7 mil no mercado
Rodrigo Paiva/UOL
As meninas, de Palmeiras dos Índios (AL), sugerem um "camelódromo" em sua cidade como alternativa para este comércio
Rodrigo Paiva/UOL
O estudante observou a irmã lavando a calçada e decidiu elaborar um sistema de reaproveitamento de água
VEJA MAIS FOTOS DA FEBRACE
PROFESSOR É FUNDAMENTAL
Três estudantes Escola Estadual Prof. José da Costa, em Cubatão (SP), escolheram seu objeto de pesquisa depois de assistir "Lua Nova", filme baseado em um dos livros da série de histórias sobre vampiros. Milka de Santana, 16, Laysla Souza, 16, e Ariane de Holanda, 16, queriam verificar se esses livros incentivaram o aumento da leitura entre os jovens.

Para comprovar a hipótese, as estudantes pesquisaram em índices de livros mais vendidos em revistas, jornais e na internet. A conclusão foi que os livros incentivaram a leitura entre os jovens -- e também entre os adultos. O projeto também influenciou no volume de leitura das próprias pesquisadoras, que tiveram que enfrentar obras de teoria literária e "O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Bronte. "Eu mesma, olhava livros grossos e não queria ler; agora, não paro mais", diz Milka.

Camelôs

Já as estudantes Mayane Bezerra, 15, e Beatriz Barros, 14, acharam inspiração para sua pesquisa andando pelas ruas da cidade onde moram, Palmeira dos Índios, em Alagoas. "Ficamos incomodadas, pois não conseguíamos mais andar na Praça Independência, a principal da cidade. Percebemos que as praças estavam desaparecendo por causa da grande quantidade de vendedores ambulantes", explica Mayane.

A solução encontrada pelas jovens foi a criação de um camelódromo. A opinião dos vendedores quanto à proposta, no entanto, ficou dividida: alguns concordaram com a ideia; outros não, pois acharam que não terão lucro. Depois da feira, as jovens pretendem se reunir com o prefeito da cidade para apresentar sua sugestão. "A pesquisa abriu nossos olhos para a cidade; com nosso projeto, queremos que os outros também olhem mais", disseram as estudantes.

Acessibilidade e meio ambiente

A preocupação com a acessibilidade e com o meio ambiente também influenciaram muitos estudantes da feira. Alexandre Sampaio, 19, Filipe Carvalho, 18, e Cléber Quadros, 18, projetaram um "óculos-mouse". Com o dispositivo, tetraplégicos podem utilizar o mouse movendo a cabeça; o clique do mouse corresponde às piscadas do olho.

Para chegar ao protótipo, os estudantes levaram nove meses desenvolvendo quatro modelos de placas de circuito eletrônico e dois de óculos. "Como no segundo ano já havíamos criado um forno com controle em braile, agora decidimos continuar na área de acessibilidade", explica Alexandre. Os estudantes já iniciaram o processo para patentear a invenção.

A inspiração para criar um "reaproveitador de água" veio da observação de um fato bem corriqueiro. "Vi minha irmã lavando a calçada e usando um monte de água, daí pensei num jeito de reaproveitar o recurso", conta Anderson Roberto Andrade Jacinto, 20, da Escola Agrícola de Jundiaí, no Rio Grande do Norte. Ele elaborou um sistema que, por meio de uma bomba, coleta a água utilizada na pia e no banho e a reutiliza na descarga da privada. A novidade do sistema é a programação simplificada, que barateia o custo do projeto.

O professor Josenalde Oliveira, 31, explica que a escola só conseguiu financiar a estadia dos estudantes e, para que eles não deixassem de vir à feira, pagou do próprio bolso as passagens dos jovens. "Me sinto privilegiadíssimo de estar aqui", diz.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Se Jacob não tivesse quebrado as regras

A maior diferença (e é uma diferença ENORME) entre o primeiro rascunho do Lua Nova e a cópia final é essa: originalmente, Bella nunca descobriu o que tinha de errado com o Jacob. Era um livro menor, sem as setenta páginas cruciais nas quais Jacob e Bella compartilham seus segredos e cimentam o relacionamento deles em algo que ultrapassa a amizade.

(Antes que você continue a ler, não deixe isso te confundir. Não é como “realmente aconteceu”. Conforme o meu conhecimento sobre a personagem do Jacob cresceu, essa versão original foi ficando cada vez mais improvável. (É claro que o Jacob ia quebrar as regras – ele é o Jacob!) Esse é só o esqueleto – só ossos, sem carne.

Tente imaginar: Bella vai até a casa do Jacob para exigir a verdade sobre o “culto”. Jacob aparece com o Sam e os outros, e concorda em conversar com a Bella a sós. Ele dá um fora nela (por falta de expressão melhor), e ela fica devastada pela segunda vez no livro. Ok, isso parece familiar. Mas então à noite… nada acontece. Jacob não quebra as regras e escala a árvore até a janela para falar com ela. Jaacob não dá nenhuma pista para ela, para tentar ajudá-la a descobrir o que ela já sabe. Bella ainda fica isolada, sozinha. Ela não tem idéia de que a Victoria está lá fora, caçando-a, ou que os lobisomens estão lá fora, protegendo-a.

Mas a Bella é muito persistente em receber alguma resposta do Jacob. Ela não tem os problemas de orgulho que interferiam no relacionamento deala com o Edward no começo do Lua Nova para Pará-la aqui. Não, Jacob DEVE a ela algo mais que isso, droga, e ela vai fazê-lo pagar.

Ela não consegue encontrá-lo, no entanto, e eventualmente a busca dela a leva até o topo dos penhascos. Ela se lembra de ver “a gangue” mergulhar no nada – e você sabe como ela está viciada nas alucinações. Mergulhar do penhasco é a inspiração dela nessa versão. Quando o Jacob a salva dessa vez, a interação entre eles é 180º diferente do que na versão final.

Se Jacob não tivesse quebrado as regras

- Como nós vamos sair daqui? – eu tossi e cospi as palavras. Estava com tanto frio agora que não conseguia sentir muita coisa além do calor do corpo dele enquanto ele me carregava cuidadosamente acima das ondas, e a dor nas minhas costas. Parecia que a corrente estava arrastando as minhas pernas, se recusando a desistir, mas elas estavam entorpecidas e talvez eu só estivesse imaginando.

- Eu vou carregar você até a praia. Você vai ficar mole como se estivesse inconsciente e não vai lutar. Isso deixará as coisas mais fáceis.

- Jake – eu disse ansiosamente. – A água é forte demais. Você provavelmente não vai conseguir sozinho, quem dirá me levando.

- Eu puxei você pra fora, não puxei? – ele me apertou forte demais para que eu visse seu rosto, mas a voz dele parecia um pouco convencida.

- Você puxou – eu concordei incerta. – Como? A correnteza…

- Eu sou mais forte que você.

Eu teria concordado, mas a água decidiu sair do meu estomago bem na hora.

- Ok – ele disse quando eu terminei de vomitar. – Preciso tirar você daqui. Lembre-se, fique parada.

Eu estava fraca demais para discutir, mas estava aterrorizada demais de deixar a segurança da pedra e deixar as ondas virem pra cima de mim de novo. Tão recuperada quando eu estava há dois minutos sobre a idéia de me afogar, agora eu estava com medo. Eu não queria voltar para o escuro. Não queria que a água cobrisse meu rosto de novo.

Eu pude sentir quando o Jacob pulou da pedra. Estava de costas e ele ainda estava me segurando embaixo dos braços quando ele deu o impulso. A água barulhenta nos alcançou, e eu entrei em pânico e comecei a chutar.

- Pare com isso – ele repreendeu.

Eu lutei para me manter quieta, e era mais difícil do que eu teria imaginado, mesmo com meus membros exaustos e com câimbras querendo nada mais que relaxar e ficar parados.

Era incrível – nós nos movemos pela água como se uma linha estivesse nos guiando para a costa. Jacob era o nadador mais forte que eu não tinha visto. Os empurrões e agarrões da correnteza pareciam inúteis até mesmo de deslocar a rota direta que ele seguia pelas ondas. E ele era rápido. Ia em ritmo de recorde mundial.

Então eu senti a areia raspando em meus calcanhares.

- Ok, pode ficar em pé, Bella.

Assim que ele me soltou, eu caí de cara nas ondas que estavam na altura dos joelhos.

Ele me pegou antes que eu pudesse engolir mais água, me jogando facilmente para os seus ombros e andando até a areia. Ele não disse mais nada, mas a respiração dele parecia irritada.

- Para lá – ele murmurou para si mesmo, e depois mudou de direção. Eu só podia ver, quando pendi do ombro dele, seus pés descalços deixando pegadas enormes na areia molhada.

Ele me sentou numa faixa de areia que parecia seca. Estava escuro aqui – eu percebi que nós estávamos em uma caverna rasa que a maré tinha formado embaixo da pedra. A chuva não podia me atingir diretamente, mas os respingos de garoa batiam na areia do lado de fora e me acertavam.

Eu estava tremendo tanto que meus dentes estavam batendo – o som era como castanholas.

- Vem aqui – Jacob disse, mas eu não tive que me mover. Ele enrolou os braços ao meu redor e me apertou com força em seu peito nu. Eu tremi, mas ele estava parado. A pele dele estava muito quente – como se a febre tivesse voltado.

- Você não está congelando? – eu gaguejei.

- Não.

Eu me senti envergonhada. Além de ele ser exponencialmente melhor do que eu na água, ele ainda tinha que fazer parecer mais fraca.

- Eu sou tão frouxa – murmurei.

- Não, você é normal – a amargura estava lá no tom dele. Ele se moveu rapidamente, sem me dar chance de perguntar o que ele quis dizer. – Se importa em me explicar que diabos você estava fazendo? – ele exigiu.

- Pulando do penhasco. Recreação – Inacreditável, mas ainda tinha alguma no meu estômago. E ela escolheu esse momento para reaparecer.

Ele esperou até que eu pudesse respirar outra vez. – Parece que você se divertiu.

- E me diverti, até bater na água. Não devíamos procurar ajuda ou algo assim? – meus dentes ainda estavam batendo, mas ele entendeu o que eu quis dizer.

- Estão vindo.

- Quem está vindo? – eu perguntei, desconfiada e surpresa.

- Sam e ou outros.

Eu fiz uma careta. – Como eles sabem que precisamos de ajuda? – meu tom era cético.

Ele bufou. – Porque eles me viram correr e me atirar de um penhasco atrás de você.

- Você estava me vigiando? – eu acusei, ligeiramente ofendida.

- Não, eu escutei você gritar. Se eu tivesse visto você, teria te impedido. Foi muita burrice, sabe.

- Seus amigos fazem isso.

- Eles são mais fortes que você.

- Eu sei nadar bem – eu protestei, ignorando a evidencia que provava o contrario.

- Em uma piscina ?????????? – ele retrucou. – Bella, ta virando um furacão pra lá. Você não considerou isso?

- Não – eu admiti.

- Burrice – ele repetiu.

- É – eu concordei com um suspiro. Estava tão frio e eu estava tão cansada.

- Fique acordada – Jacob disse ríspido.

- Nem vem – eu respondi. – Não vou dormir.

- Então abra os olhos.

Pra falar a verdade, eu nem tinha percebido que eles estavam fechados. Não disse isso a ele. Eu só os abri e disse “Ok.”

- Jacob? – o chamado veio claramente apesar do vento e ondas barulhentos. A voz era muito grave.

Jacob se inclinou para que ele não gritasse no meu ouvido. – Na caverna, Sam.

Eu não os escutei se aproximarem. Abruptamente, a pequena caverna estava cheia de pernas marrons. Eu olhei para cima, sabendo que meus olhos estariam cheios de suspeitas e raiva, consciente da proximidade do Jacob. Os braços dele formavam um escudo ao meu redor, mas de repente eu me senti como a protetora.

O rosto calmo de Sam foi a primeira coisa que eu vi. Uma onda confusa de déjà vu me surpreendeu. A caverna escura não era muito diferente da floresta à noite, e, novamente, eu estava deitada, fraca e inútil aos pés dele. Ele estava me salvando de novo. Eu olhei pra ele, irritada.

- Ela está bem? – ele perguntou ao Jacob com uma voz segura, como um adulto entre as crianças.

- Estou bem – eu resmunguei.

Ninguém me escutou.

- Temos que esquentá-la – ela está ficando com sono – Jacob respondeu.

- Embry? – Sam chamou, e um dos garotos deu um passo à frente para entregar para Jacob alguns cobertores. O tom de comando da voz do Sam me irritou até não poder mais. Era como se nenhum deles pudesse fazer algo até que ele dissesse. Eu o encarei ferozmente enquanto Jacob colocava as cobertas em volta de mim.

- Vamos tirá-la daqui – Sam mandou friamente. Ele inclinou para mim com as mãos esticadas, mas parou quando eu recuei dele.

- Já peguei, Sam – Jacob disse, colocando seus braços embaixo de mim e me levantando facilmente quando ele se colocou de pé.

- Eu posso andar – eu protestei.

- Ok – Jacob me colocou no chão e esperou.

Meus joelhos dobraram. Sam me pegou quando eu caí; instintivamente, eu lutei contra as suas mãos.

Jacob me pegou de novo, me tirando de perto de Sam e me girando até seus braços. Ele era ridiculamente forte para a idade dele. Eu fiz uma careta bem feia quando o Sam colocou os cobertores ao meu redor outra vez.

- Paul, você ta com aquele poncho?

Outro garoto deu um passo a frente sem falar nada e colocou uma camada de plástico para proteger os cobertores.

A essa altura, enrolada em camadas de proteção, eu notei que Sam e os outros não estavam muito mais vestidos que Jacob. Presumi que Jacob tinha tirado a maioria das roupas antes de pular atrás de mim, mas eles estavam todos descalços e sem camisa, cada um usando só calças ou shorts, pingando por causa da chuva. A água pingava dos cabelos deles e escorria pela pele dos peitos deles; eles nem pareciam notar. Embaixo da minha camada de cobertas, eu tremi descontroladamente e me senti como um bebê ridículo.

- Vamos – Sam ordenou, e todos saíram da caverna.

Tinha uma trilha que seguia para a praia. Eles andavam com agilidade pelo caminho, Jacob tão rápido quanto os outros. Ninguém se ofereceu para ajudá-lo, e ele não pediu nenhuma ajuda. O fato das mãos dele estarem ocupada não parecia incomodá-lo. Ele nem tropeçava.

Sam e os outros três iam à frente, e, conforme eu os observava escalar com a facilidade de bodes montanheses, eu fiquei chocada ao perceber o quão bem eles se ajustavam ao cenário. Eles se misturavam com tal harmonia com as cores das pedras e arvores, com o movimento do vento; eles pertenciam ao lugar.

Eu olhei para o Jacob e ele pertencia ao lugar também. As nuvens, a tempestade, a floresta, todo emoldurava seu novo rosto com perfeição. Ele parecia ainda mais natural, mais à vontade que o meu Jacob feliz que zanzava pela sua garagem, seu próprio reino. Era perturbador.

Nós alcançamos o topo bem mais longe na estrada do que eu tinha me aventurado. Eu podia ver um montinho de cor meio enferrujada, vago, ao sul, e achei que era minha picape.

Eu quis tentar andar de novo, mas Jacob ignorou meus pedidos baixos. Eles correram para a orla da floresta, como se eles pudessem se mover mais rápido pelas árvores do que na estrada. E eles estavam se movendo mais rápido; minha picape estava se aproximando mais rápido do que deveria

- Onde estão as duas chaves? – Jacob perguntou quando chegamos perto. A respiração dele ainda estava equilibrada e regular.

- No meu bolso – eu respondi automaticamente, antes de perceber o que ele estava sugerindo.

- Me entregue.

Eu olhei para ele, mas seu rosto estava calmo e determinado. Mal humorada, eu forcei minha mão pra dentro dos jeans molhados e tirei minha chave. Lutei contra as cobertas até que a minha mão estivesse livre. Levantei a chave.

- Para você ou para o Sam? – eu perguntei rabugenta.

Ele revirou os olhos. – Eu dirijo.

Num movimento rápido e imediato, ele inclinou a cabeça na minha direção e tirou as chaves das minhas mãos com os dentes.

- Ei! – eu reclamei, surpresa, como quando ele me colocou nos braços.

Ele sorriu, seco, através da chave.

Estávamos junto à picape agora; Sam abriu a porta do passageiro e Jacob me colocou dentro do carro. Jacob deu a volta para o lado do motorista enquanto o resto deles subiu na caçamba. Jacob ligou o motor e o aquecedor no máximo, mudando a posição deles para que ficassem só pra mim. Eu olhei culpada para a janela de trás, para seus amigos sentados sem se perturbarem, seminus na chuva que caía.

- Mas então o que você estava fazendo por aqui? – eu perguntei ao Jacob. – Vocês iam nadar com o furacão também?

- Estávamos correndo – ele cortou.

- Na chuva?

-Sim, sorte sua.

Eu calei a boca e olhei para a janela.

Nós não viramos na 110 como eu esperei, mas ao invés disso pegamos o caminho que levava a casa do Billy.

- Por que você está me levando para a sua casa?

- Eu vou pegar a minha moto e colocar na caçamba para a viagem de volta – a não ser que você queria que eu fique com a sua picape.

- Ah.

- Além do mais, eu quero que o Billy dê uma olhada em você. Eu não quero que o Charlie saiba disso até que eu tenha certeza de que você bem. Ele provavelmente vai me prender por tentativa de homicídio, ou algo assim – ele acrescentou amargamente.

- Não seja burra – eu retruquei.

- Ok – ele concordou. – Já tem mais que estupidez necessária… pular de um penhasco!

Eu corei e olhei pra frente.

Jacob me carregou para dentro da casa. O resto deles nos seguiu silenciosamente. O rosto de Billy estava sem expressão.

- O que aconteceu? – ele perguntou, direcionando a pergunta ao Sam ao invés que a seu próprio filho. Olhei pra ele.

- Eu estava pulando do penhasco – eu disse rapidamente, antes que Sam pudesse responder.

Billy só ergueu uma sobrancelha e manteve os olhos no Sam.

- Ela está com frio, mas acho que ficará bem em algumas roupas secas – Sam disse.

Jacob me colocou no sofá pequeno, e rapidamente o empurrou para perto do aquecedor. As pernas do sofá se arrastaram, barulhentas, pelo chão de madeira. Então ele desapareceu até o armário no quartinho.

Billy não disse nada sobre a condição de seu filho, que pingava pela casa toda, nem sobre a de ninguém. Ninguém parecia preocupado com hipotermia a não ser no meu caso.

Me senti mal sobre encharcar o sofá, mas eu não conseguia levantar a cabeça para salvar o tecido seco do meu cabelo molhado. Estava cansada demais. Mesmo as figuras altas e agourentas que enchiam a sala, encostadas nas paredes sem se mexerem, conseguiam manter meus olhos abertos. Eu finalmente estava quente perto do aquecedor que zumbia, e meus pulmões se moviam de um jeito que me empurrava até a inconsciência ao invés de me deixar acordada.

- Devo acordá-la para se trocar? – eu ouvi o Jacob sussurrar. Perguntando para o Sam, sem dúvida.

- Como está a pele dela? – a voz grave de Sam respondeu. Eu queria mandar pra ele outro olhar de raiva, mas meus olhos não abriam.

Os dedos do Jacob tocaram levemente minha bochecha.

- Quente.

- Acho melhor deixá-la dormir, então.

Eu fiquei feliz que eles iam me deixar em paz.

- Charlie? – Jacob perguntou.

Billy respondeu dessa vez. – Ele viria pra cá num piscar de olhos. Vamos esperar até que a tempestade passe para chamá-lo.

Boa resposta, eu pensei. Aqui eu estava, cercada por homens estranhos dos quais eu tinha começado a sentir medo, mas me senti estranhamente segura e quente aqui.

Alguém falou alguma coisa, uma voz que eu não reconhecia. – Você quer que nós três voltemos pra lá?

Houve uma pausa. – Acho que sim – Sam finalmente disse. – A tempestade é o disfarce perfeito, não vamos ser pegos desprevenidos.

- Três é suficiente? – Billy perguntou, parecendo preocupado.

Alguém deu uma risada gutural. – Nenhum risco.

- Se tiver um só – Sam emedeu, severo. Ninguém respondeu, mas eu escutei uma porta se abrindo.

- Controle, meus irmãos – Sam disse de novo, no tom de alguém se despedindo de um parente. – Rapidez e segurança para vocês.

Fiquei ligeiramente incomodada com essas palavras, mas mantive minha voz equilibrada.

- Irmãos – os outros repetiram em uníssono. Eu escutei a voz do Jacob se unir a dos outros.

A porta se fechou silenciosamente. Não houve som por um bom tempo, e a temperatura quente me levou até a inconsciência outra vez. Eu estava quase dormindo quando o Sam falou calmamente.

- Você não quis deixá-la.

- Se ela acordar, eu acho que ela teria medo de você – Jacob parecia na defensiva.

- Você não pode fazer isso, Jacob. Foi certo salvar a vida dela hoje, claro. Mas você não pode mantê-la perto de você.

Eu tive que morder a língua para segurar a resposta acida que eu queria dar pra ele. Era mais importante escutar agora.

- Sam… eu… eu acho que consigo. Acho que seria seguro.

- Um momento de raiva, só isso. Quão perto você chegou na tarde passada?

Jacob não respondeu.

- Eu sei que é muito difícil.

- Eu sei que você sabe – Jacob disse, complacente. Não, eu quis dizer a ele. Não se entregue assim!

- Seja paciente – Sam aconselhou. – Em um ano mais ou menos…

- Ela terá ido embora – Jacob concluiu amargamente.

- Ela não é pra você – Sam disse gentilmente.

Jacob não respondeu, e eu fiquei magoada. Eu odiava ter que concordar com o Sam em qualquer coisa. E eu não via como esse fato estragava a nossa amizade.

Estava quente demais para eu me concentrar, e no silencia que se seguiu a esse dialogo eu perdi a luta contra minha mente cansada. Em algum lugar perto, eu escutei uma voz delicada murmurando uma canção de ninar familiar, e eu soube que já estava adormecida.

***

A parte a seguir me parecia uma boa introdução para o epílogo original do Lua Nova. Conforme continuamos com esse universo alternativo, lembrem-se que, mesmo a Bella sabendo que tem algo errado com o Jacob, ela não tem idéia que ele é um lobisomem. No epilogo, ela e Edward estão juntos em Forks outra vez, e as coisas voltaram ao normal…

Epílogo – Humano

Era uma daqueles raros dias de sol, o tipo de dia que eu menos gostava. Mas Edward não podia manter sua promessa a cada minuto. Ele também tinha suas necessidades.

- Alice pode ficar de novo – ele ofereceu na sexta-feira à noite. Eu conseguia ver a ansiedade por trás de seus olhos – o medo de que iria surtar no minuto que ele me deixasse sozinha e fazer algo maluco. Como pegar a minha moto de La Push, ou brincar de roleta russa com a pistola do Charlie.

- Eu vou ficar bem – eu disse com uma confiança fingida. Tantos meses de esforço para manter as aparências tinham afiado minhas habilidades para mentir. – Você tem que se alimentar também. E é melhor nós voltarmos à rotina.

A maioria das coisas tinha voltado à rotina, em menos tempo que eu acreditaria ser possível. O hospital tinha recebido Carlisle de volta de braços abertos e ávidos, sem nem se preocupar em esconder a felicidade com o fato de que Esme não tinha gostado da vida em Los Angeles. Graças à prova de cálculo que eu tinha perdido, Alice e Edward estavam em melhores condições de se formar do que eu no momento. Charlie não estava contente comigo – ou falando com o Edward – mas pelo menos Edward podia entrar em casa de novo. Eu só não podia sair dela.

- Eu tenho umas redações para fazer, de qualquer jeito – eu suspirei, acenando em direção a pilha de inscrições para faculdades – Edward tinha surrupiado um de cada faculdade cujo prazo de entrega ainda estava aberto – na minha mesa. – Eu não preciso de nenhuma distração.

- Isso é verdade – ele disse com uma severidade zombeteira. – Você terá muita coisa pra deixá-la ocupada. E eu estarei de volta quando anoitecer.

- Não se apresse – eu disse a ele superficialmente, e fechei meus olhos como se estivesse cansada.

Eu estava tentando convencê-lo que eu confiava nele, o que era verdade. Ele não precisava saber dos pesadelos de zumbi. Eles não eram sobre a falta de confiança nele – era de mim mesma que eu ainda não podia depender.

Charlie ficou em casa, o que não era normal para um sábado. Eu trabalhei nas inscrições na mesa da cozinha para que ele pudesse ficar de olho em mim com mais facilidade. Mas eu era um tédio de se observar, e ele raramente tirava os olhos da televisão para checar se eu ainda estava lá.

Eu tentei me concentrar nos formulários e perguntas, mas era difícil. Hora ou outra eu me sentia solitária; minha respiração ficava mais dura e eu tinha que lutar para me acalmar. Eu me sentia como aquele motorzinho que podia – toda a hora eu tinha que me lembrar, você pode fazer isso, você pode fazer isso, você pode fazer isso.

Então, quando a campainha tocou, a distração foi mais que bem recebida. Eu não tinha idéia de quem poderia ser, mas eu nem me importava.

- Eu atendo! – eu gritei, e levantei da mesa como um raio.

- Ok – Charlie disse desinteressado. Eu corri para a sala de estar, pronta para receber um vendedor porta a porta ou alguma testemunha de Jeová.

- Oi, Bella – Jacob Black sorriu, cínico, quando a porta se abriu.

- Ah, Jacob, oi – eu murmurei, surpresa. Eu não tinha tido noticias deles desde que nós tínhamos voltado sãos e salvos da Itália. Eu tinha considerado a ultima despedida dele como final. Doía quando eu pensava sobre isso, mas para ser perfeitamente honesta, minha mente tinha ficado bem ocupada com outras coisas para sentir a falta dele como eu deveria.

- Está livre? – ele perguntou. O tom amargo não tinha desaparecido de sua voz, e ele disse essas palavras com um ressentimento especial.

- Depende – Minha voz estava ácida, combinando com a dele. – Não estou tão ocupada, mas eu estou sob custodia. Então não estou livre, não.

- Mas você está sozinha, não? – ele explicou, sarcasticamente.

- O Charlie está aqui.

Ele mordeu os lábios. – Eu queria falar com você a sós… se você puder.

Eu levantei as mãos, sem defesa. – Você pode pedir ao Charlie – eu disse, com um triunfo escondido. Charlie nunca me deixava sair de casa.

- Não foi isso que eu quis dizer – Os olhos escuros dele de repente ficaram mais sérios. – Não era a permissão do Charlie que eu estava pedindo.

Eu o encarei sombriamente. – Meu pai é o único que me diz o que eu posso e o que eu não posso fazer.

- Se você diz – ele deu de ombros. – Ei, Charlie! – ele gritou por cima do meu ombro.

- É você, Jake?

- Sim. A Bella pode dar uma volta comigo?

- Claro – Charlie disse casualmente, e meu sorriso esperançoso, o que esperava pela negação, se tornou uma careta.

Jacob levantou uma sobrancelha em desafio.

O olhar provocador que estava nos olhos dele fez me mover mais rápido do que eu teria me movido. Eu estava fora de casa em um segundo, fechando a porta atrás de mim.

- Aonde você quer ir? – eu perguntei, com uma animação falsa.

Pela primeira vez, ele pareceu inseguro. – Sério? – ele perguntou. – Você ficaria sozinha comigo, de verdade?

- É lógico – eu franzi a testa. – Por que não?

Ele não respondeu. Ele me encarou por um longo minuto com os olhos suspeitos e confusos.

- O quê? – eu exigi.

- Nada – ele resmungou. Ele começou a andar para a floresta.

- Vamos por esse lado – eu sugeri, acenando em direção a rua do lado oeste. Eu já tinha tido experiências suficientes para uma vida toda naquela parte da floresta.

Ele olhou para mim rapidamente, suspeito de novo. Então deu de ombros outra vez e passou na calçada para a rua.

Essa era a caminhada dele, então eu mantive minha boca fechada, embora eu estivesse ficando mais curiosa a cada segundo.

- Tenho que admitir, estou surpreso – ele finalmente falou quando nós estávamos quase na esquina. – A sugadorazinha de sangue não te contou tudo?

- Eu girei e comecei a andar para a casa de novo.

- Que foi? – ele perguntou, confuso, igualando meu passo irritado.

Eu parei e olhei para ele. – Eu não vou falar com você se começar a insultar os outros.

- Insultar? – ele piscou, surpreso.

- Você pode se referir aos meus amigos usando os nomes deles.

- Ah – Ele ainda parecia um pouco surpreso que eu tinha achado a palavra ofensiva. – Alice então, né? Não acredito que ela ficou de boca fechada – Ele começou a andar para a esquina outra dez, e eu o segui, relutante.

- Não sei do que você está falando.

- Você não cansa de se fazer de burra?

- Não estou me fazendo de burra – eu disse, azeda. – Aparentemente, eu sou burra.

Ele me olhou cuidadosamente. – Hm – ele resmungou.

- Que é? – eu exigi.

- Ela não falou mesmo de mim?

- De você? O que tem você?

Os olhos deles examinaram o meu rosto novamente. Então ele sacudiu a cabeça em resignação e mudou de assunto.

- Eles já te fizeram escolher?

Eu soube imediatamente o que ele quis dizer.

- Eu disse pra você que eles não iam fazer isso. Você é o único obcecado em escolher lados.

Ele sorriu, um sorriso duro, e seus olhos se estreitaram. – Veremos sobre isso.

Abruptamente, ele se inclinou e me pegou em um abraço de urso tão apertado e entusiasmado que me tirou do chão.

- Me solta! – eu lutei inutilmente. Eles era forte demais.

- Por quê? – ele riu.

- Porque eu não consigo respirar!

Ele me largou, dando um passo para trás com um sorriso malicioso no rosto.

- Você está drogado – eu acusei, olhando para baixo envergonhada, fingindo arrumar a minha camiseta.

- Só lembre-se que eu te avisei – ele sorriu, se inclinando de novo – não tão longe – para pegar meu rosto entre suas mãos enormes.

- Hm, Jacob… – eu protestei, minha voz subindo uma oitava, uma mão se mexendo rapidamente para cobrir a minha boca.

Ele me ignorou, inclinando a cabeça para pressionar seus lábios firmemente na minha testa por um segundo prolongado. O beijo pareceu começar como uma piada, mas seu rosto estava nervoso quando ele se endireitou.

- Você deveria me deixar beijá-la, Bella – ele disse quando deu um passo para trás, deixando as mãos caírem. – Você pode gostar. Algo quente pra variar.

- Eu te disse desde o começo, Jacob.

- Eu sei, eu sei – ele suspirou. – Culpa minha. Fui eu que soltei a granada.

Eu olhei pra baixo, mordendo o lábio.

- Eu ainda sinto a sua falta, Bella – ele disse. – Muito. E então, bem na hora que nós talvez voltássemos a ser amigos de novo, ele volta.

Fiz cara feia pra ele. – Se não fosse pelo Sam, nós seriamos amigos de qualquer jeito.

- Você acha? – Jacob de repente sorriu, e o sorriso era arrogante. – Ok, deixarei nas mãos dele então – era obvio que o pronome que ele disse não se referia ao Sam.

- O que você quer dizer?

- Eu serei seu amigo – se ele não tiver problema com isso – Jacob ofereceu, e depois começou a rir com algo que lembrava um divertimento verdadeiro.

Eu fiz uma careta, mas não ia deixar passar a oportunidade inesperada. – Ótimo – eu estiquei minha mão à minha frente. – Amigos.

Ele apertou minha mão com um sorriso. – A parte irônica é que – se ele deixar que você seja minha amiga – ele bufou de escárnio. – ia dar certo. Sou melhor que isto do que o resto deles. Sam diz que é da minha natureza – ele fez uma cara revoltada.

- Da sua natureza em quê? – eu perguntei, confusa.

- Vou deixar que o sanguessuga te conte isso – quando ele te explicar porque você não pode ser minha amiga – Jacob riu de novo.

Eu me virei automaticamente, mas ele agarrou meu ombro.

- Desculpa. Escapou. Eu quis dizer… Edward, é claro.

- É claro. Só se lembre que você fez um trato – eu o lembrei sombriamente.

- Eu vou manter a minha parte da barganha, não se preocupe com isso – ele riu.

- Não entendo a piada – eu reclamei.

- Você vai entender – ele continuou a rir. – Mas eu não posso garantir que você vai achar engraçado.

Ele começou a voltar para a casa, então eu achei que ele já tinha dito tudo o que planejava dizer.

- Como está o Sam? – eu perguntei em um tom neutro.

- Não está feliz, como você deve imaginar – ele disse, atestando a verdade. – Você não pode esperar que a gente esteja super feliz que os vampiros voltaram pra cá.

Eu o encarei, meu rosto congelado de choque.

- Ah, fala sério, Bella – ele resmungou, revirando os olhos.

Eu franzi a testa e olhei para longe, enquanto ele ria de novo. Meu temperamento se incendiou.

- Como está o Quil? – eu o provoquei.

A expressão dele imediatamente virou uma careta. – Não o vejo muito mais – ele reclamou.

- Bom.

- É só uma questão de tempo – ele disse numa voz doentia e nervosa. – Agora.

- Agora o quê?

- Agora que seus amigos estão de volta.

Nós nos encaramos por um momento.

- Não posso falar com você quando fica desse jeito – eu decidi eventualmente.

Eu não esperava que ele desse pra trás, mas ele deu.

- Você tem razão. Não estou sendo muito amigável, né? Não deveria desperdiçar o momento – essa provavelmente é a ultima conversa que nós teremos.

- Vou gostar bastante de provar que você está errado – eu murmurei.

- Isso é engraçado. Eu não acho que vou gostar nenhum um pouco de provar que vocês está errada.

Nós tínhamos chegado a casa. Jacob me acompanhou até a varanda, mas nós paramos ali.

- Você espera que ele volte logo? – Jacob perguntou casualmente.

- Edward, você quer dizer?

- Sim… Edward – parecia difícil para ele dizer o nome. Ele tinha menos problema com ‘Alice’.

- Mais tarde – eu disse num tom vago.

Jacob piscou para o sol, que aparecia através das nuvens estranhamente finas.

- Ah – ele disse, claramente entendendo perfeitamente. – Diga a ele que eu disse ‘oi’.

Ele soltou outra risada.

- Claro – eu murmurei.

- Eu nem consigo te dizer o quanto queria que você ganhasse essa – ele disse quando terminou de rir, seu sorriso desaparecendo. – La Push é tão sem graça sem você.

Tão rapidamente que a minha respiração parou de choque, Jacob atirou os braços ao me redor outra vez.

- Tchau, Bella – ele sussurrou, sua respiração quente no meu cabelo.

Antes que eu pudesse me recuperar e responder, Jacob se virou e correu pela rua, suas mãos enfiadas nos bolsos da calça. Foi só nessa hora que eu me perguntei como ele tinha chegado até aqui. Não tinha nenhum carro à vista. Mas as pernas compridas dele o levavam tão rápido que eu teria que gritar para perguntar. E eu tinha certeza que ele ia se encontrar com o Sam em algum lugar por perto.

Parecia que tudo o que eu fazia com o Jacob era dizer adeus. Eu suspirei.

Charlie não olhou pra cima quando eu passei por ele.

- Que conversa curta – ele notou.

- Jacob foi birrento – eu disse a ele.

Ele riu brevemente, olhos na TV.

Levei meus trabalhos para o meu quarto, então, determinada a me concentrar melhor. Eu sabia que se eu ficasse na cozinha eu não iria tirar meus olhos do relógio em cima do forno por nada. No meu quarto, consegui simplesmente tirar o despertador da tomada para resolver o problema. Eu já tinha preenchido cinco formulários de inscrição, que estavam prontos para serem enviados, quando o som da chuva tirou a minha concentração. Eu olhei para a janela. Aparentemente, o tempo bom tinha acabado. Eu sorri por um momento, e olhei para a próxima pergunta. Ainda tinha horas à minha frente.

Algo rígido me pegou pela cintura com força e me tirou da cama. Antes que eu pudesse inspirar para gritar, minhas costas estavam contra a parede mais distante. Eu estava presa ali por algo firme e frio – e familiar. Um rosnado baixo, alarmado saia por entre seus dentes.

- Edward, que foi? Quem está aqui? – eu sussurrei em terror. Tinham tantas respostas más para aquela pergunta. Era tarde demais. Eu nunca devia ter dado ouvidos a eles, eu devia ter feito a Alice me mudar na hora. Eu comecei a hiperventilar de medo.

E então Edward disse – Hmmm – em uma voz que não parecia nenhum pouco preocupada. – Alarme falso.

Eu respirei fundo, acalmando o ritmo. – Ok.

Ele se virou, se afastando devagar para me dar espaço. Ele colocou as mãos nos meus ombros, mas não me puxou para perto. Seus olhos examinaram meu rosto, meu nariz perfeito se torcendo um pouco.

- Desculpe por isso – ele sorriu pesarosamente. – Exagerei.

- Em quê? – eu perguntei.

- Em um minuto – ele prometeu. Ele deu um passo para trás e me olhou com uma expressão estranha que eu não consegui decifrar. – Primeiro, por que você não me diz o que fez hoje?

- Fui boazinha – eu disse sem fôlego. – Já estou na metade.

- Só na metade? Não que eu esteja reclamando. – Agora que eu estava começando a me recompor do momento de pânico, eu podia sentir uma onda de felicidade surgindo dentro de mim. Ele tinha voltado.

- Você fez mais alguma coisa? – ele continuou, esperançoso.

Eu dei de ombros. – Jacob Black passou aqui.

Ele acenou, sem surpresa. – Ele escolheu bem o momento. Suponho que ele estivesse esperando eu ir embora.

- Provavelmente – eu admiti e ele de repente ficou tenso. – Porque, Edward, ele… bem, parece saber de tudo. Eu não sei se ele começou a acreditar no Billy agora -

- Eu sei – ele murmurou.

- O quê? – eu perguntei, pega desprevenida outra vez.

Mas Edward tinha andado para longe, seu rosto distante e pensativo.

Eu comecei a ficar brava. – Isso é irritante. Você vai me contar o que está acontecendo?

- Talvez – mas ele hesitou. – Posso pedir um favor antes?

Eu gemi. – Certo – eu fui sentar na cama, tentando juntar os papeis espalhados. – O que você quer? – Ele devia saber que não havia muita coisa que eu não faria por ele. Perguntar era quase supérfluo.

- Eu gostaria muito se você me prometesse ficar longe do Jacob Black. Só para minha paz de espírito.

Meu queixo caiu. Eu olhei para ele em um a descrença horrenda. – Você esta brincando – eu disse sem acreditar.

- Não, não estou – ele me olhou com olhos sombrios. – Você quase me fez ter um ataque do coração – e não é a coisa mais fácil de fazer.

Eu não entendia o que ele queria dizer com aquilo, só que ele estava fazendo exatamente o que eu tinha tanta certeza que ele não faria. – Você não pode estar falando sério. Você não pode estar pedido de verdade que eu escolha lados.

- Escolha lados? – ele perguntou, franzindo a testa.

- Jacob disse que eu teria que escolher, que você não me deixaria ser amiga dele – e eu disse que isso era ridículo – eu olhei para ele com olhos suplicantes – suplicantes para ele levar a sério.

Os olhos dele se estreitaram um pouco. – Mesmo eu odiando fazer com que o Jacob Black esteja certo… – ele começou.

- Não! – eu lamentei. – Não acredito nisso! – Eu chutei o ar, petulante, e uma pilha de inscrições voaram para o chão.

Os olhos dele ficaram frios. – Você pode escolher o outro lado – ele me lembrou.

- Não seja idiota! – eu resmunguei.

- Eu não tinha percebido que ele era tão importante para você – Edward disse numa voz melancólica. Os olhos dele ficaram duros outra vez.

- Você não está com ciúmes – eu gemi sem acreditar.

Ele fungou uma vez, e torceu o nariz de novo. – Bem, o cheiro é como se ele tivesse chegado bem perto de você hoje à tarde.

- Não foi idéia minha – Mas eu corei.

Ele notou isso. Levantou uma sobrancelha.

- Não tem absolutamente motivo algum para você ficar com ciúme de ninguém nem de qualquer coisa, nunca. Como você não sabe disso? Mas o Jacob é importante pra mim. Ele é o melhor amigo humano que eu tenho. Ele é da família. Se não fosse por ele… – eu parei, sacudindo a cabeça. Morta não era a pior coisa que eu poderia estar sem o Jacob.

- Seu melhor amigo humano – Edward repetiu em voz baixa, encarando sem ver a janela por um segundo antes de se voltar para mim. Ele veio sentar do meu lado na cama, mas deixou um espaço entre nós, o que me surpreendeu. – Eu tenho que admitir, eu devo um a ele – pelo menos uma – por salvar você do túmulo aquático. Mesmo assim, eu… preferiria que você mantivesse distancia. Porque eu estar com ciúmes ou não vem ao caso. Você já deve ter percebido a essa altura que a única coisa que me deixa preocupado é a sua segurança.

Eu pisquei, surpresa. – Segurança? O que diabos você quer dizer?

Ele suspirou, fazendo uma careta. – Não é meu segredo para contar. Por que você não perguntou ao Jacob o que está acontecendo.

- Eu perguntei.

Ele colocou os dedos nos lábios, me lembrando de falar baixo.

- Eu acabei de perguntar, de novo – eu continuei nervosa, porem mais silenciosamente. – E o Jacob disse “eu vou deixar o sanguessuga te contar essa, quando ele explicar porque você não pode ser minha amiga”.

Ele revirou os olhos, então eu continuei.

- Ele também disse para te falar “oi” – eu acrescentei, usando o mesmo tom de provocação que o Jacob tinha usado.

Ele sacudiu a cabeça, e então sorriu triste. Ele colocou as mãos nos meus ombros, me segurando um pouco longe, como se fosse para ter uma visão melhor da minha expressão. – Ótimo, então – ele disse. – Eu vou te contar tudo. Na verdade, eu vou explicar cada mínimo detalhe e responder cada pergunta que você tiver. Só que você pode fazer uma coisa para mim antes? Ele ergueu as sobrancelhas, quase se desculpando, e torceu o nariz de novo. – Se importa de lavar o seu cabelo? Você absolutamente fede a lobisomem.

Tenho que admitir, eu ainda fico triste em ter tirado essa ultima frase.

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A bolsa de estudos

(Esse é o maior pedaço que eu tirei de Lua Nova; é a maior parte do capítulo seis – “Manifesto”, como era – e mais sete cenas pequenas que completam a história da “bolsa de estudos” por todo o livro, até o final. Eu achei que tudo era engraçado, mas meus editores discordaram. Não era necessário, então foi sacrificado no altar da edição.)

A bolsa de estudos

Cena um: um dia depois da Bella ter assistido ao filme de zumbi com a Jéssica.

Eu ainda sentia falta de Phoenix em raras ocasiões, quando provocada. Agora, por exemplo, enquanto eu me dirigia ao Banco Federal de Forks para depositar meu pagamento. O que eu não daria para a conveniência de um caixa eletrônico. Ou pelo menos o anonimato de um estranho atrás do balcão.

- Boa tarde, Bella – a mãe da Jéssica me cumprimentou.

- Oi, Sra. Stanley.

- Foi tão bom que você pôde sair com a Jéssica a noite passada. Faz bastante tempo – ela estalou a língua para mim, sorrindo para fazer o som mais amigável. Algo na minha expressão devia estar errado, porque o sorrido de repente murchou, e ela passou a mão, nervosa, pelo cabelo, onde ficou presa por um minuto; o cabelo dela era tão enrolado quanto o da Jéssica, e caía numa disposição dura de cachos rígidos.

Eu sorri de volta, percebendo que foi um segundo tarde demais. Meu tempo de reação estava enferrujado.

- É – eu disse, num tom que esperava que fosse sociável. – Eu estive muito ocupada, sabe. Escola… trabalho… – eu lutei pra achar mais alguma coisa para acrescentar a minha lista curta, mas não achei nada.

- Claro – ela sorriu mais calorosamente, provavelmente feliz que minha resposta parecia de algum jeito normal e bem ajustada.

De repente me ocorreu que talvez eu não estivesse enganada quando pensava que essa fosse a razão por trás do sorriso dela. Quem sabe o que a Jéssica tinha falado pra ela sobre a noite passada? O que quer que tenha sido, não era totalmente confirmado. Eu era a filha da ex excêntrica do Charlie – insanidade podia ser genético. Associada com os doidos da cidade; eu pulei essa, me encolhendo. Vítima de um coma ambulante. Eu decidi que havia um belo dum motivo para eu ser doida, mesmo sem contar as vozes que eu escutava na minha cabeça agora, e me perguntei se a Sra. Stanley realmente pensava isso.

Ela devia ter visto a reflexão nos meus olhos. Ela desviou o olhar rapidamente, para as janelas atrás de mim.

- Trabalho – eu repeti, chamando sua atenção outra vez enquanto colocava meu cheque no balcão. – Que é a razão de eu estar aqui.

Ela sorriu de novo. O batom dela estava sumindo conforme o dia passava, e era claro que ela tinha feito o desenho maior do que seus lábios eram de verdade.

- Como estão as coisas nos Newton? Ela perguntou alegremente.

- Bem. A temporada está começando a esquentar – eu respondi automaticamente, embora ela passasse na frente do estacionamento da loja Olympic de Equipamentos todo dia – ela já devia ter visto os carros desconhecidos. Ela provavelmente conhecia os altos e baixos do negócio de mochileiros melhor do que eu.

Ela acenou distraída enquanto digitava no computado à sua frente. Meus olhos vagaram através do balcão escuro, com suas linhas laranja brilhantes, com os enfeites nos cantos. As paredes e o tapete tinham sido trocados para um cinza mais neutro, mas o balcão era a prova da antiga decoração do prédio.

- Hmmm – O murmúrio da Sra. Stanley estava um tom mais alto que o normal. Eu olhei de volta para ela, só meio interessada, imaginando se tinha alguma aranha na mesa que a tinha assustado.

Mas os olhos dela ainda estavam grudados na tela do computador. Seus dedos sem se mover agora, a expressão dela surpresa e desconfortável. Eu esperei, mas ela não disse mais nada.

- Há algo errado? – Os Newton estavam tentando passar cheques sem fundo?

- Não, não – ela sussurrou rapidamente, olhando para mim com um brilho estranho nos olhos. Ela parecia estar reprimindo algum tipo de excitação. Me lembrou da Jessica quando tinha alguma fofoca nova que estava morrendo para contar.

- Você gostaria de uma cópia do seu saldo? – A Sra. Stanley perguntou ansiosa. Não era um hábito meu – minha conta crescia tão devagar e previsivelmente que não era difícil fazer as contas na minha cabeça. Mas a mudança no tom dela me deixou curiosa. O que tinha na tela do computador que a deixou tão fascinada?

- Claro – eu concordei.

Ela apertou uma tecla e a impressora cuspiu um documento pequeno.

- Aqui está – ela tirou o papel com tanta vontade que rasgou na metade.

- Opa, desculpe por isso – ela deu a volta no balcão, sem encontrar meu olhar curioso, até que encontrasse uma fita crepe. Ela juntou os dois pedaços e me entregou.

- Er, obrigado – eu murmurei. Com o papel em mãos, eu me virei para sair, olhando rápido para ver se conseguia adivinhar qual era o problema da Sra. Stanley.

Eu achava que a minha conta devia ter US$ 1535,00. Estava errada, tinha US$ 1535, 60.

E também tinha 20 mil dólares a mais.

Eu congelei onde estava, tentando entender os números. A conta estava com 20 mil dólares a mais antes do meu depósito de hoje, que tinha sido feito corretamente.

Por um breve momento eu considerei fechar minha conta imediatamente. Mas, suspirando uma vez, eu voltei para o balcão onde a Sra. Stanley estava esperando, com olhos vivos e interessados.

- Houve algum tipo de erro no computador, Sra. Stanley – eu disse a ela, entregando o pedaço de papel. – Só devia ter US$ 1535.

Ela riu conspiratoriamente. – Eu achei que era meio estranho.

- Nos meus sonhos, NE? – eu ri de volta, impressionada com a normalidade do meu tom.

Ela digitou ligeira.

- Vejo o problema aqui… mostra um depósito feito há três semanas de 20 mil dólares de… hmmm, outro banco, me parece. Eu imagino que alguém tenha colocado os números errados.

- Vou me encrencar muito se fizer uma retirada? – eu provoquei.

Ela riu distraída enquanto continuava a digitar.

- Hmmm – ela disse de novo, sua testa franzindo em três rugas fundas. – Parece que foi uma transferência internacional. Não recebemos muitas dessas. Sabe o quê? Vou pedir para a Sra. Gerandy olhar isso aqui… – a voz dela foi sumindo enquanto ela se afastava do computador, seu pescoço se espichando para olhar a porta atrás dela. – Charlotte, está ocupada? – ela chamou.

Não houve resposta. A Sra. Stanley ignorou o silencio e andou até a porta dos fundos onde os gabinetes deveriam estar.

Eu a olhei por um minuto, mas ela não reapareceu. Eu me virei e encarei sem ver as janelas, observando a chuva cair pelo vidro. A chuva caía em jorros imprevisíveis, por vezes pingando para os lados. Eu não contei o tempo que fiquei esperando. Eu tentei deixar minha mente vagar, neutra, não pensando em nada, mas eu não conseguia retornar ao estado de semi consciência.

Eventualmente eu escutei as vozes atrás de mim de novo. Eu me virei e vi a Sra. Stanley e a esposa do Dr. Gerandy vindo até a sala da frente com o mesmo sorriso educado nos dois rostos.

- Me desculpe sobre isso, Bella – Sra. Gerandy disse. – Eu consigo arrumar isso com um simples e curto telefonema. Você pode esperar se quiser. – Ela fez um gesto para a fileira de cadeiras contra a parede. Parecia que elas eram do conjunto de uma mesa de jantar de alguém.

- Ok – eu concordei. Andei até as cadeiras e sentei bem no meio, de repente desejando que tivesse um livro. Não tinha lido nada por algum tempo, fora da escola. E mesmo assim, quando alguma história de amor ridícula fazia parte do currículo, eu trapacearia com notas prontas. Era um alívio estar trabalhando com A Revolução dos Bichos por hora. Mas tinha que ter mais livros seguros. Thrillers policiais. Assassinatos. Mistério. Assassinatos terríveis não eram um problema; contanto que não houvesse nenhum sub-trama com envolvesse olhos brilhantes e romance.

Demorou tanto que eu fiquei irritada. Estava entediada de ficar olhando para a sala cinza, sem nenhum quadro para aliviar a inexpressividade das paredes. Não conseguia ver a Sra. Stanley enquanto ela mexia em uma pilha de papeis, parando uma hora ou outra para digitar algo no computador – ela olhou para mim uma vez, e quando pegou meu olhar, pareceu desconfortável e deixou cair um arquivo. Eu podia ouvir a Sra. Gerandy sussurrando, a voz dela indo e vindo da sala dos fundos, mas não era clara o bastante para falar qualquer coisa além de que ela tinha mentido sobre o telefonema ser curto. Estava demorando tanto que era impossível para qualquer pessoa evitar de deixar a mente vagar por aí, e se isso não terminasse logo, eu não seria capaz de evitar também. Eu teria que pensar. Entrei em pânico de novo, tentando encontrar um pensamento seguro.

Fui sala pela volta da Sra. Gerandy. Eu sorri agradecida para ela quando passou pela porta, seu cabelo grosso e claro chamando a minha atenção.

- Bella, se importaria de se juntar a mim? – ela perguntou, e eu percebi que ela estava com um telefone pressionado contra sua orelha.

- Claro – eu murmurei quando ela desapareceu.

A Sra. Stanley tinha destrancado a metade da porta no final do balcão para me deixar passar. O sorriso dela estava ausente, e ela não encontrou meu olhar. Eu tinha certeza absoluta que ela estava planejando em escutar a conversa.

Minha mente correu pelas possibilidades enquanto eu ia para o gabinete. Alguém estava desviando dinheiro através da minha conta. Ou talvez o Charlie estivesse aceitando subornos e eu estava estragando o disfarce dele. Mas quem teria esse tanto de dinheiro para subornar o Charlie? Talvez o Charlie estivesse na máfia, aceitando subornos, e usando a minha conta para lavar dinheiro. Não, eu não conseguia imaginar o Charlie na máfia. Talvez fosse o Phil. Afinal eu não conhecia muito bem o Phil, conhecia?

A Sra. Gerandy ainda estava no telefone, e acenava com o queixo para uma cadeira de metal que estava na frente de sua mesa. Ela estava rabiscando rapidamente no verso de um envelope. Eu sentei, me perguntando se o Phil tinha um passado negro, e se eu ia para a cadeia.

- Obrigada, sim. Bem, acho que isso é tudo. Sim, sim. Muito obrigada por sua ajuda – a Sra. Gerandy deu um sorriso antes de desligar. Ela não parecia brava ou triste. Mais animada e confusa. O que me lembrou da Sra. Stanley na outra sala. Eu brinquei com a idéia de assustá-la por um segundo.

Mas a Sra. Gerandy falou.

- Bom, eu acho que tenho noticias muito boas para você… embora eu não tenha idéia porquê você ainda não ficou sabendo nada disso – Ela me olhou criticamente, como se esperasse que eu batesse na testa e dissesse ”ah, AQUELES vinte mil dólares! Fugiu da minha mente completamente!”

- Boas notícias? – a ficha caiu. As palavras implicavam que esse erro era complicado demais para ela resolver, e ela estava com a impressão de que eu estava mais rica do que há alguns instantes.

- Bom, se você não sabe mesmo… então parabéns! Você foi premiada com um bolsa de estudos da… – ela olhou para baixo e leu suas anotações. – Fundação Pacífica do Noroeste.

- Uma bolsa de estudos? – eu repeti sem acreditar.

- Sim, não é emocionante? Meu Deus, você vai poder ir para qualquer faculdade que quiser!

Foi naquele exato momento, enquanto ela ria feliz com a minha boa sorte, que eu descobri exatamente de onde aquele dinheiro tinha vindo. Fora o ataque de raiva repentino, a suspeita, o ultraje e a dor, eu tentei falar calmamente.

- Uma fundação que deposita uma bolsa de estudos de vinte mil dólares direto na minha conta – eu notei. – Ao invés de pagar na minha escola. Sem poder ter certeza alguma que eu use o dinheiro para pagar a faculdade.

Minha reação a deixou confusa. Ela pareceu ficar ofendida com as minhas palavras.

- Seria muito insensato não usar esse dinheiro para o propósito que foi dado, Bella, querida. Essa é uma oportunidade única.

- É claro – eu disse amargamente. – E essa Fundação Pacífica do Noroeste menciona porquê eles me escolheram?

Ela olhou para as notas de novo, suas sobrancelhas ligeiramente erguidas pelo meu tom.

- É muito prestigio – eles não dão uma bolsa de estudos como premio todos os anos.

- Aposto que não.

Ela me olhou e desviou o olhar rapidamente. – O banco em Seattle que cuida da fundação me encaminhou para um homem que administra a distribuição das bolsas. Ele disse que essa bolsa é entregue baseada no mérito, sexo e localização. É direcionada a estudantes mulheres em cidades pequenas que não tem as oportunidades disponíveis em cidades maiores.

Parecia que alguém achava que estava sendo engraçado.

- Mérito? – eu perguntei desaprovadoramente. – Eu estou na média, tiro notas oito. Posso nomear três garotas em Forks com notas melhores do que eu, e uma delas é a Jessica. Além do que – eu nunca me inscrevi para nenhuma bolsa de estudos.

Ela estava muito perturbada agora, pegando a caneta e deixando-a cair de novo, mexendo no pingente que usava entre o dedão e o indicador. Ela olhou pelas notas outra vez.

- Ele mencionou que – ela manteve os olhos no envelope, sem ter certeza do que fazer com a minha reação. – Eles não recebem inscrições. Eles pegam as inscrições rejeitadas para outras bolsas e escolhem alunos que acham que foram olhados com pouco caso. Eles acharam o seu nome em uma inscrição que você mandou para receber uma bolsa por mérito para a Universidade de Washington.

Eu senti os cantos da minha boca caírem. Eu não sabia que aquela inscrição tinha sido rejeitada. Era algo que eu tinha preenchido há tanto tempo, antes de…

Eu não tinha tentando nenhuma outra possibilidade, embora os prazos de entrega para as inscrições estavam passando. Eu não conseguia me concentrar no futuro. Mas a Universidade de Washington era o único lugar que podia me manter perto de Forks e do Charlie.

- Como eles conseguem as inscrições rejeitadas? – eu perguntei monotonamente.

- Não tenho certeza, querida – a Sra. Gerandy estava triste. Ela queria animação e estava conseguindo hostilidade. Eu queria que tivesse um jeito de explicar que toda a negatividade não era para ela. – Mas o administrador deixou o numero do telefone dele se eu tivesse alguma pergunta – pode ligar você mesma. Eu tenho certeza de que ele pode garantir que esse dinheiro é mesmo para você.

Eu fiquei na dúvida com essa. – Eu gostaria do número dele.

Ela escreveu depressa em um pedaço de papel amassado. Tomei nota mental de doar anonimamente alguns post its para o banco.

O número era de longa distância. – Ele não deixou nenhum email? – eu perguntei cética. Não queria aumentar demais a conta do Charlie.

- Na verdade, ele deixou – ela sorriu, feliz de ter algo que eu quisesse. Ela se esticou por cima da mesa para escrever outra coisa no papel.

- Obrigada, vou entrar em contato com ele assim que chegar em casa – Minha boca era uma linha fina.

- Querida – a Sra. Gerandy disse hesitante. – Você deveria ficar feliz com isso. É uma grande oportunidade.

- Eu não vou receber vinte mil dólares sem merecer – eu rebati, tentando manter um tom de insulto fora da minha voz.

Ela mordeu o lábio e olhou para baixo de novo. Ela achava que eu era doida também. Bem, eu iria fazê-la falar em voz alta.

- O que? – eu exigi.

- Bella… – ela pausou e eu esperei de dentes cerrados. – É muito mais que vinte mil dólares.

- Perdão? – eu engasguei. – Mais?

- Vinte mil dólares é o pagamento inicial, no caso. De agora em diante você receberá cinco mil dólares todos os meses até o final de sua carreira acadêmica. Se você se matricular em uma faculdade, a fundação vai continuar a paga-la! – ela ficou animada outra vez enquanto me contava isso.

Eu não consegui falar a principio, estava lívida de fúria. Cinco mil dólares por tempo ilimitado. Eu queria esmagar alguma coisa.

- Como? – eu consegui dizer.

- Não entendo o que quer dizer.

- Como eu vou receber cinco mil dólares por mês?

- Será depositado na sua conta aqui – ela respondeu, perplexa.

Houve uma pausa pequena.

- Vou fechar essa conta agora – eu disse numa voz seca.

Levou quinze minutos para eu convencê-la de que estava falando a verdade. Ela tinha um suprimento inesgotável de razões do quê isso era uma má idéia. Eu discuti nervosa até que finalmente me ocorreu que ela estava preocupada em me dar os vinte mil. Eles tinham tanto dinheiro assim por aqui?

- Olha, Sra. Gerandy – eu a assegurei. – Eu só quero sacar meus 1500 dólares Iria agradecer muito se você devolvesse o resto do dinheiro para a conta de onde ele veio. Eu vou resolver isso com esse – eu olhei o papel – Sr. Issac Randall. É realmente um erro.

Isso pareceu tranqüilizá-la.

Uns vinte minutos mais tarde, com 15 rolinhos de notas de cem, uma de vinte, uma de dez, uma de cinco, uma de um, e mais cinqüenta centavos no meu bolso, eu escapei do banco aliviada. A Sra. Stanley e a Sra. Gerandy ficara lado a lado no balcão, me encarando de olhos arregalados.

***

Cena dois: a mesma noite, depois de comprar as motos e visitar Jacob pela primeira vez…

Eu fechei a porta atrás de mim e tirei o meu fundo da faculdade do bolso. Parecia bem pequeno na palma da minha mão. Enfiei tudo no dedão de uma meia sem par e coloquei na gaveta de calcinhas. Provavelmente não era o lugar mais original, mas eu me preocuparia em ser criativa depois.

No outro bolso estava o pedaço rasgado de papel com o numero do telefone e email do Isaac Randall. Eu tirei de lá e coloquei perto do teclado do meu computador, então liguei, batendo o pé enquanto a tela lentamente brilhava para a vida.

Depois que eu me conectei, abri minha conta de email gratuita. Eu adiei, dando tempo para deletar a montanha de spam que tinha se criado nos poucos dias desde que eu tinha escrito o email para a Renée. Eventualmente eu fiquei sem ter o que fazer, e abri uma caixa para escrever uma nova mensagem.

O email era endereçado a “irandall”, então eu presumi que iria diretamente ao homem que eu queria.

Caro Sr. Randall, ­eu escrevi.

Espero que você se lembra da conversa que teve nesta manha com a Sra. Gerandy, do Banco Federal de Forks. Meu nome é Isabella Swan, e aparentemente você está com a impressão que eu fui premiada com uma bolsa de estudos muito generosa da Fundação Pacífica do Noroeste.

Peço desculpas, mas eu não posso aceitar essa bolsa. Eu pedi para que o dinheiro que eu já recebi seja devolvido para a conta de onde ele veio, e fechei minha conta no Banco Federal de Forks. Por favor, premie outra pessoa para um candidato diferente.

Obrigada, I. Swan

Tentei algumas vezes até deixar pronto – formal, sem duplos sentidos. Eu li mais duas vezes antes de enviá-lo. Não tinha certeza que tipo de instruções esse Sr. Randall havia recebido sobre a falsa bolsa de estudos, mas eu não conseguia ver nenhum furo em minha resposta.

***

Cena três: algumas semanas depois, logo depois do “encontro” de Bella e Jacob com as motos…

Quando eu voltei, peguei a correspondência na entrada. Passei rapidamente pelas contas e anúncios, até que cheguei a ultima carta da pilha.

Era um envelope normal de negócios, endereçado a mim – meu nome escrito a mão, o que era incomum. Eu olhei para o endereço de retorno interessada.

Interesse que rapidamente virou náusea. A carta era da Divisão de Bolsas de Estudo da Fundação Pacífica do Noroeste. Não havia endereço de rua embaixo do nome.

Era só o reconhecimento oficial da minha recusa, eu disse a mim mesma. Não havia razão para se sentir nervosa. Nenhum razão, exceto pelo pequeno detalhe que se eu pensasse sobre qualquer parte disso muito a fundo, eu podia ir em espiral direto para terra zumbi. Só isso.

Eu joguei o resto da correspondência na mesa para o Charlie, juntei meus livros do chão da sala de estar, e corri para cima. Uma vez em meu quarto, eu tranquei a porta e rasguei o lacre do envelope. Eu tinha que me lembrar de ficar com raiva. Raiva era a chave.

Cara Srta. Swan,

Permita-me parabenizá-la formalmente por ser premiada com a prestigiosa Bolsa de Estudos J. Nicholls da Fundação Pacífica do Noroeste. Essa bolsa de estudos não é concedida frequentemente, e você deveria ficar orgulhosa em saber que o Comitê de Bolsas de Estudo escolheu o seu nome unanimemente para receber a honra.

Tem havido algumas dificuldades em entregar o dinheiro do seu prêmio, mas por favor, não se preocupe. Eu mesmo vou garantir que você não tenha nem a menor das inconveniências. Você encontrará junto com essa carta um cheque próprio de vinte e cinco mil dólares; a bolsa inicial mais o seu primeiro auxilio mensal.

Mais uma vez eu a parabenizo por sua conquista. Por favor aceite os melhores desejos de sucesso de toda a Corporação Pacífica do Noroeste para a sua carreira acadêmica.

Atenciosamente,

I. Randall

Raiva não era o problema.

Eu olhei para o envelope e, claro, lá estava o cheque.

- Quem é essa gente? – eu rosnei entre dentes, amassando a carta, com uma mão só, até virar uma bola apertada.

Eu pisei furiosamente até a lata de lixo, para achar o número de telefone do Sr. I. Randall. Não estava nem aí que era chamada de longa distancia – essa seria uma conversa bem curta.

- Ah, merda – eu sibilei. A lata estava vazia. Charlie tinha tirado o lixo.

Eu joguei o envelope com o cheque na cama e alisei a carta. Era feita em papel de empresa, com as palavras Departamento Das Bolsas de Estudo da Fundação Pacifica do Noroeste escritas em verde escuro na parte de cima, mas não havia nenhuma informação, nenhum telefone.

- Que porcaria.

Eu caí na beirada da minha cama para pensar com clareza. Obviamente, eles iriam me ignorar. Eu não podia ter deixado minhas intenções mais claras, então isso não tinha nenhum erro de comunicação. Provavelmente não faria diferença alguma se eu ligasse.

Então havia só uma coisa a ser feita.

Eu amassei o envelope com o cheque outra vez e desci a escada.

Charlie estava na sala de estar, com a TV ligada alto.

Fui até a pia e coloque as bolas de papel nela. Então eu remexi a nossa gaveta de porcarias até achar uma caixa de fósforos. Eu risquei um, e encostei cuidadosamente numa fissura do papel. Risquei mais um, e fiz a mesma coisa. Quase fui para um terceiro, mas o papel já estava em chamas alegres, então não tinha necessidade.

- Bella? – Charlie chamou mais alto que a TV.

Eu girei a torneira rapidamente, sentindo satisfação quando a água bateu nas chamas, transformando tudo numa meleca fedida.

- Sim, pai? – eu coloquei os fósforos de volta na gaveta, e a fechei silenciosamente.

- Está sentindo cheiro de queimado?

- Não, pai.

- Hmm.

Eu limpei a pia, me certificando que toda a gosma tinha descido pelo cano, e então liguei o triturador de lixo para garantir.

Voltei para o meu quarto, me sentindo muito mais calma. Eles podiam mandar quantos cheques eles quisessem, eu pensei cruelmente. Eu sempre podia comprar mais fósforos quando aqueles acabassem.

***

Cena quatro: durante o tempo que Jacob a está evitando…

Na soleira da porta tinha um pacote do FedEx. Eu peguei curiosamente, esperando um endereço da Florida, mas era de Seattle. Não havia nenhum remetente listado do lado de fora da caixa.

Estava endereçado a mim, não ao Charlie, então eu o levei para a mesa e rasguei o lacre para abrir.

Assim que eu vi a letra verde do logo da Fundação Pacifica do Noroeste, eu senti como se a infecção do estomago tivesse voltado. Desabei na cadeira mais próxima, encarando a carta, a raiva crescendo lentamente.

Eu nem conseguia me fazer lê-la, embora não fosse longa. Eu retirei de dentro, coloquei de cabeça para baixo na mesa, e olhei de volta para a caixa, relutante, para ver o que tinha. Era um envelope grosso feito em papel-manilha. Eu estava com medo de abri-lo, mas com raiva o suficiente para tirá-lo lá de dentro.

Minha boca se tornou uma linha dura conforme eu rasgava o papel, sem me importar com o selo. Eu já tinha bastante com o que lidar no momento. Não precisava da lembrança nem da irritação.

Eu fiquei chocada, e mesmo assim, surpresa. O que mais poderia seria senão isso – três montes espessos de notas, empilhados com elásticos grossos? Eu nem tinha que olhar para os números. Sabia exatamente o quanto eles estariam tentando forçar para mim. Seriam trinta mil dólares.

Eu peguei o envelope cuidadosamente quando levantei, e me virei para jogá-lo na pia. Os fósforos estavam bem em cima na gaveta de tranqueiras, bem onde eu tinha deixado. Eu tirei um e o acendi.

O fogo foi chegando cada vez mais perto e mais perto dos meus dedos enquanto eu encarava o envelope idiota. Não conseguia fazer meus dedos o deixarem cair. Balancei o fósforo antes que ele me queimasse, meu rosto se transformando numa careta de nojo.

Eu peguei a carta da mesa, amassando até que virasse uma bola, e jogando outra divisão da pia. Acendi outro fósforo e o encostei no papel, observando com um prazer sinistro enquanto o fogo o consumia. Esquentou rápido. Me estiquei para pegar outro fósforo. Outra vez, eu o segurei, queimando, perto do envelope. De novo, queimou quase até os meus dedos antes que eu jogasse no envelope que já era um monte de cinzas. Mas eu não conseguia simplesmente queimar trinta mil dólares.

Então o que eu ia fazer com o dinheiro? Não tinha endereço para retorno – eu tinha quase certeza que a companhia nem existia.

Então me ocorreu que eu tinha sim, outro endereço.

Coloquei o dinheiro dentro da caixa do FedEX, tirando a etiqueta de destinatário, para o caso de se alguém encontrasse a caixa, não teria como me ligar ao dinheiro, e voltei para a minha picape, resmungando incoerentemente pelo caminho. Eu prometi a mim mesma que iria fazer algo especialmente imprudente com a moto essa semana. Eu pularia no ar se precisasse.

Eu odiei cada metro da viagem enquanto passava pelas arvores sombrias, trincando os dentes até que meu maxilar doesse. Os pesadelos seriam horríveis essa noite – eu estava provocando. As árvores se abriram nas samambaias, eu dirigi mais rápido e com mais raiva por elas, deixando uma marca dupla de galhos quebrados e molhados atrás de mim. Eu parei quase nos degraus da frente, deixando na banguela.

A casa estava exatamente a mesma, dolorosamente vazia, morta. Eu sabia que estava projetando meus sentimentos à aparência dela, mas isso não mudava o jeito que ela parecia pra mim. Tomando cuidado para não olhar pelas janelas, eu andei até a porta da frente. Eu desejei desesperadamente para ser o zumbi por só um minuto, mas a dormência tinha ido embora para sempre.

Eu deixei a caixa cuidadosamente no degrau da casa abandonada, e me virei para ir embora.

Eu parei no primeiro degrau. Não podia só deixar uma pilha de dinheiro na frente da porta. Era quase tão ruim quanto queimá-la.

Com um suspiro, mantendo meus olhos baixos, eu virei e peguei a caixa ofensiva. Talvez eu doasse anonimamente para uma boa causa. Caridade para pessoas com doenças sanguíneas, ou algo assim.

Mas eu estava sacudindo a cabeça quando voltei para a picape. Era o dinheiro dele, e, droga, ele ia ficar com ele. Se fosse roubado da frente da casa dele, então era culpa dele, e não minha.

Minha janela estava aberta, e ao invés de sair, eu só atirei a caixa na direção da porta com o Maximo de força que pude reunir.

Eu nunca tinha tido a melhor pontaria. A caixa se chocou ruidosamente contra a janela da frente, deixando um buraco tão grande que era como se eu tivesse jogado uma maquina de levar.

- Ah, que merda! – eu ofeguei em voz alta, cobrindo meu rosto com as mãos.

Eu devia ter sabido que, não importa o que eu fizesse, só deixaria as coisas piores.

Por sorte, o ódio voltou nessa hora. Isso era culpa dele, eu me lembrei. Eu só estava devolvendo as coisas dele. Era problema dele se ele tinha tornado essa tarefa tão difícil. Além do mais, o barulho do vidro quebrando era legal – me fez sentir um pouco melhor, de um jeito perverso.

Eu não tinha me convencido completamente, mas eu tirei a picape da banguela e dirigi de volta mesmo assim. Isso era o mais próximo de devolver o dinheiro para onde ele pertencia. E agora eu tinha feito uma caixa de correio pra lá de boa para as contas dos próximos meses. Era o melhor que eu podia fazer.

Eu repensei cem vezes depois que cheguei em casa. Procurei na agenda de telefones, algum número para vidraceiros, mas não tinha ninguém desconhecido para me ajudar. E como eu explicaria o endereço? O Charlie me prenderia por vandalismo?

***

Cena cinco: a primeira noite que Alice volta depois de ver Bella “cometendo suicídio”…

- Jasper não quis vir com você?

- Ele não aprova a minha interferência.

Eu funguei. – Você não é a única.

Ela ficou rígida, depois relaxou. – Isso tem alguma coisa a ver com o buraco na janela da frente da minha casa e uma caixa cheia de notas de cem dólares no chão da sala de estar?

- Tem sim – eu disse nervosa. – Desculpe pela janela. Foi um acidente.

- Normalmente é assim com você. O que ele fez?

- Algo chamado Fundação Pacifica do Noroeste me premiou com uma bolsa de estudos muito estranha e persistente. Não foi bem disfarçado. Quer dizer, eu não posso imaginar que ele queria que eu soubesse que era ele, mas eu espero que ele ao pense que eu sou assim tão burra.

- Por que, aquele traidor…? – Alice murmurou.

- Exatamente.

- E ele me disse para não olhar – Ela sacudiu a cabeça, irritada.

***

Cena seis: com Edward na noite depois da Itália, no quarto da Bella…

- Tem algum motivo pelo qual o perigo não pode resistir a você mais que eu resisto?

- O perigo não tenta – eu murmurei.

- É claro, parece que você andou muito ocupada procurando pelo perigo. O que você estava pensando, Bella? Eu vi na cabeça do Charlie o numero de vezes que você foi para o pronto socorro. Mencionei que estou bravo com você?

A voz dele parecia mais magoada do que nervosa.

- Por quê? Não é da sua conta – eu disse, envergonhada.

- Na verdade, eu me lembro de você me prometendo especificamente não fazer nada imprudente.

Minha resposta foi rápida. – E você não me prometeu algo sobre “não interferir”?

- Enquanto você estava quebrando sua promessa – ele qualificou cuidadosamente. – eu estava mantendo meu lado do acordo.

- Ah, verdade? Três palavras, Edward: Fundação. Pacifica. Noroeste.

Ele ergueu a cabeça para me olhar; sua expressão era confusa e inocente – inocente demais. Foi ela que o entregou. – É pra isso fazer algum sentido para mim?

- Isso é insultante – eu reclamei. – Você acha que eu sou assim tão burra?

- Eu não tenho idéia do que você está falando – ele disse, olhos arregalados.

- Que seja – eu resmunguei.

***

Cena sete, a conclusão desse extra: na mesma noite/manhã, quando eles chegam na casa dos Cullen para a votação…

De repente, a luz da varanda acendeu, e eu pude ver Esme parada à porta. Seu cabelo caramelo ondulado para trás, e ela tinha algum tipo de toalha na mão.

- Estão todos em casa? – eu perguntei esperançosamente quando subimos as escadas.

- Sim, estão – Quando ela falou, as janelas abruptamente se encheram de luz. Eu olhei atrás da mais próxima para ver quem tinha nos notado, mas a panela cheia de estilhaços grossos e cinzas na frente da janela chamou a minha atenção. Eu olhei para a perfeição do vidro, e percebi o que a Esme estava fazendo na varanda com uma toalha.

- Ah, droga, Esme! Sinto muito mesmo pela janela! Eu ia -

- Não se preocupe – ela me interrompeu com uma risada. – Alice me contou a historia, e tenho que dizer, eu não teria culpado você por ter feito isso de propósito – Ela olhou para seu filho, que estava me encarando.

Eu levantei uma sobrancelha. Ele desviou o olhar e murmurou algo indistinto sobre cavalos dados.

Narcóticos

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(Você reconhecerá essa cena do final do capítulo dois de Lua Nova. Só algumas falas estão diferentes. No primeiro rascunho, Carlisle deu remédios para a Bella para tirar a dor dos machucados, e ela teve uma reação incomum.

Por que esse ângulo foi cortado? Um, porque meus editores acharam que o astral estava errado (eu tento fazer piada de tudo, e eles tentam me conter). Dois, eles não acharam que a reação da Bella fosse real. A piada foi para eles, porque a história é baseada numa experiência real mesmo – não foi minha, dessa vez).

Narcóticos

Eu desmoronei no meu travesseiro, sufocando, minha cabeça girando. Meu braço não doía mais, mas eu não sabia se era por causa dos remédios ou do beijo. Algo ficou rondando a minha memória, vago, nos cantos…

- Desculpe – ele disse, e estava sem fôlego também. – Isso passou dos limites.

Para a minha surpresa, eu ri. – Você é engraçado – eu murmurei, e ri novamente.

Ele franziu a testa para mim no escuro. Parecia tão sério. Era engraçado demais.

Eu cobri minha boca para abafar a risada para que o Charlie não escutasse.

- Bella, você já tinha tomado Percocet antes?

- Acho que não – eu ri. – Por quê?

Ele revirou os olhos, e eu não conseguia parar de rir.

- Como está o seu braço?

- Não sinto nada. Ele ainda está aí?

Ele suspirou enquanto eu dava risada. – Tente dormir, Bella.

- Não, eu quero que você me beije de novo.

- Você está superestimando meu autocontrole.

Eu dei outra risada contida. – O que está te incomodando mais, meu sangue ou o meu corpo? – Minha pergunta me fez rir.

- É um empate – ele sorriu sem vontade. – Nunca a vi alterada. Você fica muito interessante.

- Não estou alterada – eu tentei evitar os risinhos para provar.

- Durma – ele sugeriu.

Eu percebi que estava me fazendo de tonta, o que não era muito incomum, mas ainda era vergonhoso, então tentei seguir o conselho dele. Coloquei minha cabeça em seu ombro outra vez e fechei meus olhos. Uma vez ou outra risada escapava. Mas elas ficaram menos freqüentes quando os remédios me acalmaram até eu ficar inconsciente.

Me senti completamente péssima de manhã. Meu braço queimava e minha cabeça latejava. Edward disse que eu estava de ressaca, e recomendou Tylenol ao invés de Percocet antes de beijar a minha testa e sair pela janela.

Não ajudou minha perspectiva que o rosto dele estava indiferente e remoto. Eu estava com muito medo das conclusões a que ele podia ter chegado durante a noite, enquanto me via dormir. A ansiedade pareceu aumentar a intensidade das dores na minha cabeça.

Eu tomei duas doses do Tylenol, jogando o frasquinho de Percocet na cesta de lixo do banheiro.

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